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18/03/2010 - 18h15

Em Moscou, Hillary e chanceler russo apostam em acordo de armas

Moscou, 18 mar (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov, mostraram hoje confiança de que um novo tratado de desarmamento nuclear entre os dois países será assinado.

Hillary destacou que os negociadores estão terminando o texto e que informaram que obtiveram "avanços substanciais". Lavrov, por sua vez, disse acreditar que as negociações cumprem com o encomendado pelos presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev, e dos EUA, Barack Obama.

"Temos muitas razões para supor que estamos na parte final da última etapa e esperamos que os negociadores nos informem em breve do fim de seu trabalho", disse Hillary.

Tanto Hillary quanto Lavrov afirmaram que após o fim das negociações, ambas as partes devem entrar em acordo sobre o local e a data da cerimônia de assinatura do documento, que substituirá o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start), expirado em dezembro, mas prorrogado até a subscrição de um novo.

A Rússia e os EUA iniciaram no dia 9 de março em Genebra a décima e, provavelmente, última rodada de negociações sobre o desarmamento. As conversações sobre o tema foram iniciadas por Medvedev e Obama, em Londres, há quase um ano.

Recentemente, Lavrov assegurou que o novo tratado contemplará a vinculação entre o armamento ofensivo - mísseis balísticos - e o defensivo - sistemas antimísseis -, ao que os EUA se mostraram reticentes.

"Se todos respeitarmos o princípio fundamental, ou seja, a paridade (nuclear), todos os assuntos serão esclarecidos muito rapidamente", disse Lavrov.

Segundo o jornal "Kommersant", que cita fontes do Kremlin e da Chancelaria russa, a assinatura do tratado será realizada antes da conferência nuclear do dia 12 de abril em Washington.

"Todos os pontos, incluindo a telemetria - intercâmbios de dados de lançamentos de mísseis -, estão estipuladas. O trabalho dos negociadores já não tem um caráter político, mas técnico", aponta uma fonte.

Os analistas acreditam que o problema poderia estar não na assinatura do tratado, mas em sua ratificação por parte dos Legislativos dos dois países.

A Duma (câmara dos deputados russa) não dará o seu aval se o documento não vincular o armamento ofensivo ao defensivo. Já o Senado americano não ratificará o acordo se ele limitar a capacidade dos EUA de instalar escudos antimísseis, como assegurou recentemente o senador republicano John McCain.

Os presidentes russo e americano concordaram que o novo tratado de desarmamento deve reduzir o número de ogivas nucleares de cada país a algo entre 1.500 e 1.675 unidades em seus primeiros sete anos de vigência.

Por outro lado, Hillary e Lavrov também trataram de outros assuntos, como a crise nuclear iraniana e a reunião amanhã em Moscou do quarteto de mediadores internacionais para o Oriente Médio (EUA, União Europeia, ONU e Rússia).

"Trabalhamos conjuntamente com nossos parceiros (...) para chegar a um consenso que deixe claro ao Irã que suas ações podem ter consequências", disse a chefe da diplomacia americana.

Hillary ressaltou que, apesar de ameaçar com sanções, os EUA ainda apostam em uma solução diplomática para o problema iraniano. Também pediu que Moscou adie o início dos trabalhos da primeira usina nuclear iraniana, construída por engenheiros russos no Golfo Pérsico (Bushehr).

Já Lavrov lembrou que a Rússia só apoiará sanções que busquem "impedir a violação do regime de não-proliferação", embora tenha frisado que o Conselho de Segurança nem sequer iniciou um debate a respeito.

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