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19/03/2010 - 16h24

Chile foca habitação e educação para se reerguer do terremoto

Santiago do Chile, 19 mar (EFE).- O Governo do Chile anunciou hoje o primeiro pacote de medidas para reconstruir o país do terremoto de 27 de fevereiro, com prioridade em reerguer escolas danificadas e proteger as famílias desabrigadas.

As propostas, com custo próximo a US$ 110 milhões, contemplam também a reativação do setor pesqueiro nas cidades do litoral atingidas pelo tsunami conseguinte ao terremoto, que teve 8,8 graus de magnitude na escala Richter.

Segundo os últimos números oficiais, o devastador terremoto deixou 452 mortos, 96 desaparecidos, 800 mil desabrigados e avarias calculadas em US$ 30 bilhões.

O plano foi apresentado pelos ministros Rodrigo Hinzpeter (Interior), Joaquín Lavín (Educação), Felipe Kast (Planejamento) e Juan Andrés Fontaine (Economia), e pela porta-voz do Governo, Ena Von Baer. Todos fazem parte do comitê de reconstrução criado pelo presidente Sebastián Piñera.

O ministro da Educação assegurou que uma das prioridades do Governo é o início do ano letivo, que nas regiões mais prejudicadas pelo terremoto precisou ser atrasado.

Ontem, Piñera assegurou que 2.750 escolas estão inabilitadas e cifrou em quase um milhão o número de crianças que não puderam iniciar normalmente as aulas.

Por isso, Lavín, candidato a presidente em 2000 e 2006, anunciou hoje a criação de um fundo de 10 bilhões de pesos (US$ 19 milhões) para a reparação de escolas municipais, da região de Valparaíso até a de Araucanía.

"O objetivo desses recursos é possibilitar consertos menores que permitam restabelecer as aulas antes de 26 de abril. Também poderão ser utilizados para habilitar infraestrutura social", explicou o ministro da Educação.

Também foi acordada a entrega de uma bolsa de estudos mensal de manutenção e transporte de 30 mil pesos (US$ 57) para estudantes universitários das regiões de O'Higgins, Maule e Bío-Bío, as mais devastadas, como forma de evitar que alunos de educação superior larguem a escola.

O ministro do Planejamento anunciou o pacote de medidas para sua pasta, que prevê o financiamento de 20 mil cabanas de madeira, as chamadas "mediaguas". Essas construções se somarão às 20 mil que serão erguidas com fundos da campanha solidária "Chile ajuda o Chile", de 5 de março.

Para isso, o Governo selou um acordo com a ONG "Um Teto para o Chile", que se comprometeu a entregar as cabanas antes de 11 de junho, dia do início da Copa do Mundo, como lembrou o ministro.

Além disso, durante a próxima semana serão entregues 25 mil tendas de campanha para as famílias que se encontrem em extrema precariedade, para que possam enfrentar a chegada da temporada de chuvas.

"As medidas são um complemento e não substituem as soluções definitivas em que o Ministério da Habitação está trabalhando", explicou Kast, que contou que o custo desses planos se aproxima de US$ 75 milhões.

Segundo Piñera, há mais de 200 mil casas destruídas ou gravemente danificadas pelo terremoto.

Outras frentes do Governo será a reativação dos setores produtivos do país, especialmente da pesca, principal meio de subsistência nas regiões devastadas pelo tsunami.

O ministro da Economia chileno, Juan Andrés Fontaine, anunciou o programa "Voltemos ao Mar", que inclui medidas para reativar a pesca artesanal e a criação de emprego para os pescadores enquanto retomam a atividade normal.

Assim, o Governo financiará a reparação e aquisição de novas embarcações com uma contribuição máxima de quase US$ 4 mil para os pescadores que estejam inscritos nos registros de pesca e que tenham credenciado atividade durante 2009.

Além disso, os pescadores desabrigados que não possam retomar suas atividades serão incluídos no programa especial para criar 60 mil postos de trabalho anunciado ontem pelo presidente.

O Governo chileno assegurou que nos próximos dias os demais ministérios divulgarão suas medidas para contribuir com a reconstrução do país após o tremor, que gerou perdas cifradas por Piñera em quase US$ 30 bilhões, o equivalente a 17% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

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