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19/03/2010 - 10h10

Mediação incentiva diálogo e fixa 2 anos para Estado palestino

Moscou, 19 mar (EFE).- Após reforçar a pressão contra os assentamentos judaicos, o quarteto de mediadores para o Oriente Médio defendeu hoje o início de negociações indiretas entre israelenses e palestinos que levem, em um prazo de 24 meses, à solução de dois Estados.

"O quarteto (EUA, União Europeia, ONU e Rússia) chama o Governo de Israel a congelar todas as suas atividades de construção de assentamentos (...), desmantelar todos os erguidos desde março de 2001 e se abster de demolir edifícios e de despejar gente em Jerusalém Oriental", assinala a declaração, elaborada hoje em Moscou.

O documento foi lido em entrevista coletiva, ao término da reunião de mediadores, pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Os mediadores condenaram a decisão do Governo de Israel de construir novas casas no setor árabe de Jerusalém e pediu às duas partes que mantenham a calma, evitem ações provocadoras e deixem de lado a "retórica incendiária".

"As ações unilaterais adotadas por qualquer uma das partes não devem se antecipar ao resultado das negociações e não serão reconhecidas pela comunidade internacional", ressalta a declaração.

Segundo a mediação, o status de Jerusalém deve ser determinado pela via de negociações entre ambas as partes.

O Governo israelense anunciou na semana passada planos de construir 1.600 casas em Jerusalém Oriental, decisão que minou seriamente as perspectivas de reatamento do diálogo.

No entanto, os mediadores ressaltaram que as conversas indiretas serão "um passo importante" para o reatamento das negociações bilaterais diretas.

"O quarteto considera que as negociações devem se dirigir a um acordo negociado entre as partes em um prazo de 24 meses que ponha fim à ocupação que começou em 1967", assinala o documento.

O texto acrescenta ainda que a negociação deve caminhar para o estabelecimento de um Estado palestino "independente, democrático e viável, que viva em paz e segurança com Israel e seus outros vizinhos".

O quarteto mostrou seu apoio à Autoridade Nacional Palestina (ANP) dentro do objetivo de estabelecer um Estado, e chamou os países da região e toda a comunidade internacional a apoiar esse objetivo.

Os participantes da reunião de Moscou mostraram preocupação com a situação na Faixa de Gaza e o estado dos direitos humanos na região.

"Estamos profundamente preocupados com a situação humanitária em Gaza", disse o secretário-geral da ONU, que antecipou que no próximo domingo visitará a Faixa palestina.

Na declaração, o quarteto ressalta que a assinatura de acordos de paz de Israel com Síria e Líbano ajudaria a estabilizar a situação no Oriente Médio.

"Os membros do quarteto acordaram usar todas as ferramentas que dispõem para conseguir de Israel e dos palestinos o começo de negociações indiretas", declarou o ministro de Assuntos Exteriores da Rússia e anfitrião da reunião, Serguei Lavrov.

O chefe da diplomacia russa mostrou esperança de que Israel entenda a posição dos mediadores.

Já a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que "a declaração é muito clara" e ressaltou que as negociações servirão aos interesses de Israel e dos palestinos. "Todos defendemos o começo de conversas indiretas", afirmou.

A reunião em Moscou, que teve a presença da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, e do representante especial do quarteto, o ex-premiê britânico Tony Blair, foi a primeira convocada de maneira urgente, à margem de outras atividades internacionais.

O encontro na capital russa coincidiu com uma escalada de violência na região em debate. Ontem, um tailandês morreu em Israel ao ser atingido por um foguete disparado de Gaza e, já nesta madrugada, a aviação militar israelense respondeu ao ataque com um bombardeio na Faixa.

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