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20/03/2010 - 15h18

A.Latina não cresce mais por baixa produtividade, constata BID

Teresa Bouza Cancún (México), 20 mar (EFE).- A estagnação da produtividade explica por que a América Latina ficou atrasada em relação ao Leste Asiático e às nações desenvolvidas, constata um novo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

"O tema central atualmente (na região) é como recuperar o crescimento", afirmou Santiago Levy, vice-presidente do BID, durante a apresentação do relatório no marco da Assembleia anual de organismo multilateral realizado em Cancún (México).

Para isso, explicou Levy, é necessário aumentar a produtividade, que aumentou menos que a de países ricos como os Estados Unidos nas últimas quatro décadas.

O relatório do organismo menciona que o Chile foi o único país da região que conseguiu lucros na produtividade superiores aos dos Estados Unidos entre 1960 e 2005.

Ao contrário, o Brasil perdeu 2,5% de produtividade frente aos Estados Unidos no período mencionado, o Uruguai perdeu 14% e a Bolívia e a Colômbia perderam 17%.

Carmen Pages, principal autora do relatório, afirmou hoje que a produtividade está relacionada com as receitas per capita.

Assim, um país latino-americano típico poderia ter aumentado a renda per capita em 54% desde 1960 se sua produtividade tivesse crescido como a do resto do mundo.

Como resultado, a América Latina foi incapaz de erradicar a pobreza. "A menos que a produtividade aumente, a política social por si só não poderá eliminar a pobreza", destacou Pages.

Segundo o BID, o problema é que o crescimento da produtividade está muito atrasado no setor manufatureiro e, sobretudo, no setor de serviços.

Assim, a média anual de crescimento no setor de serviços da América Latina foi de 0,1% entre 1990 e 2005, contra 2,5% da Ásia Oriental e 1,4% dos países mais ricos.

No setor manufatureiro, o aumento foi de 2%, contra 3,5% da Ásia Oriental e 2,2% dos países ricos.

O único setor em que a região mantém taxas competitivas é o agrícola, com um crescimento da produtividade de 3,51% no período mencionado, contra 2,5% da Ásia Oriental e 3,6% dos países desenvolvidos.

"Um setor de serviços que não cresce é um enorme lastro para o crescimento total da economia", disse Pages. Exemplo disso são os efeitos para os empregos. Os serviços já são responsáveis por 60% do emprego na região.

O estudo destaca que, se o setor de serviços crescesse como no leste asiático, a produtividade teria tido um aumento médio de mais de 3% entre 1990 e 2005, em vez do 1,5% registrado no período.

Os economistas do BID consideram que a abundância de pequenas empresas de muito baixa produtividade, sobretudo no setor de serviços, é um dos principais fatores da estagnação da produtividade. Entre outros fatores estão os altos custos de transporte e as políticas sociais mal elaboradas.

O organismo destaca também o "excesso" de microempresas e a escassez de médias e grandes empresas em relação às economias mais desenvolvidas.

"Muitas dessas empresas de muito baixa produtividade são informais. Elas têm pouco ou nenhum acesso ao crédito e limitadas oportunidades para inovar, treinar seus funcionários e crescer em tamanho e produtividade", afirmou o BID.

Para solucionar a situação, o BID recomenda reduzir os elevados custos do transporte, um melhor acesso aos mercados de crédito, assim como a reforma do sistema de impostos, que hoje são "altos e complexos".

Além disso, é necessário, segundo o organismo, uma maior inovação, sobretudo entre as pequenas empresas.

"O que o livro indica é a necessidade de um novo pacto social. Isso pressupõe melhorar a produtividade não só do setor exportador, mas de toda a economia e sobretudo do setor serviços", concluiu Pages.

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