UOL Notícias Notícias
 

20/03/2010 - 13h41

Em território palestino ocupado, Ban critica colônias judaicas

Nuha Musleh.

Ramala, 20 mar (EFE).- O secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon, iniciou hoje sua visita de dois dias a Israel e aos territórios palestinos ocupados lembrando a ilegalidade de todas as colônias israelenses em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia.

"Permitam-me ser claro. Toda atividade nos assentamentos é ilegal em qualquer parte do território ocupado e deve ser interrompida", disse Ban em uma rápida entrevista concedida após ser recebido pelo primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Salam Fayyad, na cidade cisjordaniana de Ramala.

O diplomata chegou a Israel nesta manhã, vindo de Moscou, onde participou de uma reunião do Quarteto de Madri (ONU, Estados Unidos, União Europeia e Rússia). Assim que desembarcou, Ban seguiu para Ramala.

Na cidade, o sul-coreano foi levado para um lugar alto, de onde é possível ver o muro israelense erguido na Cisjordânia, que chega a ter oito metros de altura quando cruza núcleos urbanos.

O líder palestino abriu vários mapas e explicou ao convidado o traçado do muro, que já teve 400 dos seus 710 quilômetros construídos.

Do mesmo lugar, também era possível ver os vários assentamentos israelenses em torno de Jerusalém Oriental, onde os palestinos querem estabelecer a capital de seu futuro Estado.

Após o passeio, Ban pediu o início, "o mais rápido possível", do diálogo de paz indireto proposto pelos Estados Unidos. Além disso, afirmou que a colonização israelense supõe um obstáculo às negociações.

Outras cobranças do diplomata foram a suspensão do bloqueio que o Estado judeu mantém sobre a Faixa de Gaza há mais de quatro anos e a libertação de parte dos mais de 10 mil palestinos presos em Israel, medidas que poderiam representar um "passo positivo" para o restabelecimento da confiança entre as partes.

"Também nos preocupam as práticas que Israel promove em Jerusalém Oriental", acrescentou.

Durante a visita, Ban pretende impulsionar a retomada do processo de paz entre israelenses e palestinos. Por isso, se reunirá ainda hoje com o presidente israelense, Shimon Peres, em sua residência em Jerusalém.

Amanhã, o sul-coreano visitará a Faixa de Gaza, onde passará algumas horas se reunindo com representantes das várias agências da ONU e conhecendo projetos humanitários.

"Irei expressar minha solidariedade ao sofrimento dos palestinos que vivem" na região, explicou hoje.

O secretário-geral não terá nenhum encontro com representantes do Hamas, que controlam a faixa territorial e rejeita os princípios do Quarteto: a renúncia à violência e o reconhecimento ao Estado de Israel e aos acordos assinados pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP) com as autoridades israelenses.

Também neste sábado, Ban se reunirá, em Jerusalém, com o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, e com o vice-ministro de Assuntos Exteriores, Dany Ayalon.

Ban já esteve na Faixa de Gaza em janeiro de 2009, quando avaliou a destruição provocada por uma ofensiva militar israelense.

Ontem, o Quarteto de Madri, além de exigir o congelamento das colônias judaicas, defendeu o começo das negociações indiretas entre israelenses e palestinos e a criação de um Estado palestino em até 24 meses.

O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, considerou a declaração de "muito importante", enquanto o ministro israelense de Assuntos Exteriores, Avigdor Lieberman, disse que ela "afasta" as possibilidades reais de paz, ao impor um calendário "fora da realidade".

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host