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20/03/2010 - 16h43

Jornalistas sofrem onda de assassinatos e sequestros na A.Latina, afirma SIP

Oranjestad, 20 mar (EFE).- Os jornalistas da América Latina estão sofrendo nos últimos meses a pior onda de violência em muitos anos com assassinatos e sequestros que deterioram a liberdade de imprensa e de expressão, manifestou hoje a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), reunida em Oranjestad (Aruba).

Ao todo, 12 jornalistas foram assassinados na América Latina nos últimos meses em uma onda violenta sem precedentes em tão pouco tempo, afirmou Robert Rivard, diretor do jornal "San Antonio Express-News" e presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da SIP.

O último caso ocorreu ontem, na cidade colombiana de Montería (departamento de Córdoba), onde foi assassinado a tiros Clodomiro Castillo Espino, diretor da revista "El Pulso del Tiempo".

A realidade mais perigosa e violenta é no México, onde os jornalistas são vítimas do confronto entre o Governo e os cartéis do tráfico de drogas, enquanto muitos outros se autocensuram diante das ameaças recebidas.

Ao todo, seis jornalistas mexicanos foram assassinados nos últimos meses, enquanto outros seis de mesma nacionalidade foram sequestrados e são mantidos reféns.

Fora do México, três jornalistas foram assassinados em Honduras, um no Brasil e outro na Colômbia, totalizando 12 mortos desde novembro passado.

Ao discursar na reunião semestral da SIP, Rivard destacou também a gravidade dos ataques verbais e da pressão dos Governos da Argentina, Bolívia, Venezuela e Honduras contra a liberdade de imprensa com a intenção de desmoralizar os jornalistas e manipular a opinião pública.

Rivard ressaltou a importância de as autoridades do México aprovarem leis para "penalizar com severidade os crimes contra os jornalistas".

Desde 2005, registrou-se a morte de 44 jornalistas, inclusive a de ontem na Colômbia, e 17 desde o ano passado, dos quais 12 ocorreram nos últimos seis meses. Por isso, Rivard enfatizou a gravidade da atual onda de violência contra os jornalistas.

A ação do crime organizado e dos cartéis do tráfico, a corrupção, o assédio dos Governos e a fragilidade das instituições públicas para conter os assassinatos, a violência e o assédio configuram o panorama atual contra a imprensa no continente americano, constata a SIP.

A assembleia da SIP começou hoje a debater em Oranjestad os relatórios sobre o estado da liberdade de imprensa e de expressão, país por país, para sua aprovação na sessão de domingo ou de segunda-feira.

Os relatórios incluem dois especiais, um sobre os problemas enfrentados pela imprensa na Venezuela para poder atuar sem a ingerência do Governo e o outro sobre o delicado estado de saúde de vários jornalistas independentes nas prisões cubanas.

Os relatórios evidenciarão a gravidade do fechamento de meios de comunicação na Venezuela, a criação de veículos midiáticos estatais na Venezuela, Equador e Bolívia e a imposição de leis ou projetos de lei que amordaçam a imprensa na Argentina, Equador e Uruguai.

O jornal argentino "Clarín" apresentou um vídeo na reunião em que se relatou a pressão do Governo da presidente Cristina Kirchner contra os meios de comunicação. Para o periódico, essa situação deteriora a liberdade de imprensa e de expressão na Argentina.

O relatório sobre a Bolívia destacou a pressão do Governo do presidente Evo Morales e a gravidade da proposta por "uma norma de educação aos jornalistas para que não mintam e que lutem contra o imperialismo". Essa proposta supostamente obrigaria os repórteres a fazer perguntas erguendo o braço esquerdo e com o punho fechado.

Os planos de Morales levaram o jornalismo boliviano a ficar em estado de alerta e a imprensa busca alternativas para que não se destrua a liberdade de imprensa, ressalta a SIP.

O relatório sobre o Brasil critica também a situação de pressão contra a liberdade de imprensa, similar em alguns aspectos aos existentes na Bolívia e Venezuela.

"O Governo brasileiro confunde a concentração de meios de comunicação com a existência de monopólios, o que o leva a combater a liberdade de imprensa", assinala o relatório sobre o Brasil.

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