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24/03/2010 - 21h19

Atentado na Colômbia ofusca campanha eleitoral e libertação de reféns

(Atualiza com oferta de recompensa e declarações do ministro da Defesa colombiano).

Bogotá, 24 mar (EFE).- A explosão de um carro-bomba hoje na cidade colombiana de Buenaventura, que deixou seis mortos e 42 feridos, serviu para ofuscar a campanha para as eleições presidenciais de maio e a anunciada libertação de dois reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O atentado, tido como um dos piores na Colômbia nos últimos anos, ocorreu por volta das 9h25 locais (11h25 de Brasília) em frente às sedes da Prefeitura e da Promotoria de Buenaventura, que fica no noroeste colombiano.

O ministro da Defesa colombiano, Gabriel Silva, disse que a ação terrorista foi um massacre e ofereceu uma recompensa de US$ 150 mil para quem fornecer informações sobre os responsáveis pelo fato.

"Temos pistas muito boas sobre os responsáveis pela ação terrorista", disse o ministro.

Silva criticou as Farc ao dizer que "pedem acordos humanitários e se mostram ao país como cordeiros", mas "ao mesmo tempo estão planejando ações terroristas contra a população".

O ministro disse a jornalistas que as negociações humanitárias que permitirão o retorno do cabo Pablo Emilio Moncayo e do soldado Josué Daniel Calvo está nas mãos da Cruz Vermelha Internacional.

Enquanto fontes militares e governamentais acusaram a milícia urbana 'Manuel Cepeda' das Farc pelo atentado, a Procuradoria tem outras duas hipóteses que apontam para o grupo paramilitar "Los Rastrojos" e conflitos entre narcotraficantes.

Segundo as primeiras investigações, o veículo tinha 40 quilos de explosivos que foram ativados durante a passagem de um carro da Polícia, matando um policial e deixando outros feridos.

O governador do departamento (estado) colombiano de Valle del Cauca, Juan Carlos Abadía, ligou as Farc ao atentado e disse que o objetivo do ato era desestabilizar o processo eleitoral do pleito presidencial de maio.

"Esses bandidos precisam gerar atos terroristas que gerem distração. Querem desestabilizar o país, gerar um ambiente de medo porque Buenaventura é o principal porto do país", acrescentou.

"É um fato lamentável. Seguramente as Farc cometeram este ato terrorista", disse por sua vez o comandante das Forças Militares, general Freddy Padilla.

Já o procurador-geral da Colômbia, Guillermo Mendoza, considera que o atentado pode ter sido obra das Farc ou do grupo paramilitar "Los Rastrojos", que teria vingado a recente apreensão de um carregamento de cocaína.

Mendoza ainda citou a possibilidade de o atentado ter sido resultado de conflitos entre traficantes de drogas.

"Pelo local onde a bomba foi colocada, a impressão é de que foi uma retaliação contra a Polícia e a Procuradoria", acrescentou.

Buenaventura tem sido reduto de rebeldes, paramilitares e narcotraficantes por ser uma estratégica saída para o Oceano Pacífico, o que transformou a cidade em uma rota importante da droga que se dirige ao México e aos Estados Unidos.

Além disso, o porto de Buenaventura escoa 50% das exportações colombianas.

Na segunda-feira passada, as Farc incineraram sete caminhões de transporte de carga na estrada que liga a região central do país a Buenaventura.

O ataque de hoje acontece após o anúncio das Farc sobre a entrega no próximo final de semana de Moncayo e Calvo e dos restos mortais de um policial morto em cativeiro.

Caso a Farc tenha cometido o atentado, fica ainda mais difícil um acordo de troca de sequestrados por guerrilheiros presos - provável objetivo da guerrilha após a libertação unilateral dos dois militares.

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