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24/03/2010 - 00h53

México e EUA anunciam "nova etapa" de cooperação contra o crime

Alberto Cabezas México, 23 mar (EFE).- México e Estados Unidos acertaram hoje "uma nova etapa" de cooperação em segurança e contra o crime organizado internacional que irá além da Iniciativa Mérida, lançada em 2008 e centrada na transferência de tecnologia e na capacitação de militares e policiais.

"Estamos expandindo a Iniciativa Mérida porque (o problema) não é apenas sobre segurança. Isso é primordial, mas também se trata de construir instituições", declarou a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton.

Em declaração assinada hoje, os dois países admitem que o consumo de drogas "é um grave problema de saúde pública" e que a luta contra o narcotráfico "não será completamente eficaz enquanto não for atendida sua demanda" com um enfoque integral.

O documento reitera que, com essa iniciativa, idealizada em 2007 e que até o momento canalizou mais de US$ 1,3 bilhão dos EUA ao México, houve uma "mudança de paradigma" na cooperação bilateral, mas o instrumento agora deve ser afinado perante os novos desafios e a violência que se apresenta.

Apesar de ter sido George W. Bush quem impulsionou a Iniciativa Mérida, agora a Administração de Barack Obama está interessada em estreitar mais ainda a cooperação, colocando seu selo e fazendo com que ela seja "mais coordenada e eficaz".

Para isso, além de apoiar às instituições encarregadas de segurança e procuração de justiça, os EUA desejam formular novos planos integrais para desarticular as organizações criminosas, fortalecer as instituições, desenvolver a fronteira comum e reforçar "a coesão social das comunidades dos dois países".

Os princípios não mudam - responsabilidade compartilhada, confiança mútua, respeito à jurisdição de cada país e complementação de esforços perante uma ameaça regional -, mas haverá novas ações, mais peso da prevenção ao consumo e ao combate ao financiamento ilícito.

A declaração assinala que os dois países vão "dar prioridade" a "investigar, deter e castigar pessoas vinculadas com a lavagem de dinheiro", através de "intercâmbios de inteligência financeira.

Nesse área e no tráfico ilegal de armas haverá "um programa de trabalho bilateral" com "objetivos concretos e indicadores de avanço" que será avaliado periodicamente.

Hillary reiterou que seu país aceita sua responsabilidade no que considera "uma guerra contra a sociedade civil", que custou mais de 18 mil vidas no mandato de Felipe Calderón e "despedaça as comunidades, atrasa o desenvolvimento econômico e mina o progresso".

Admitiu que a demanda de drogas nos Estados Unidos e a venda de armas "facilitam a violência no México", por isso seu país trabalha "de maneira muito agressiva" para que sejam respeitadas as leis de armamento, que permitem a venda livre, mas não a exportação para aqueles países que as proíbam.

"Sabemos que o fluxo destas armas é um problema para nossos amigos mexicanos e estamos fazendo todo o possível para prevenir e proibir, perseguir e levar à prisão as pessoas que se dedicarem a isto", acrescentou.

A chefe da diplomacia americana afirmou que seu país apoia "firmemente a valente campanha" empreendida por Calderón, na luta contra os grupos de narcotraficantes.

Por sua parte, a chanceler mexicana, Patricia Espinosa, agradeceu o compromisso dos EUA para impulsionar a relação bilateral e "sua clara vontade de eliminar os gargalos", que atrasaram a entrega de equipamento prevista pela Iniciativa Mérida.

Também admitiu a "necessidade de melhorar" os equipamentos e corpos policiais das corporações de seu país.

Durante sua visita, Hillary lamentou os recentes assassinatos de três pessoas vinculadas ao consulado dos EUA em Ciudad Juárez, duas delas americanas, e assegurou que estes fatos "arrasaram os corações" dos cidadãos de seu país.

O encontro de hoje é o segundo do Grupo de Alto Nível e serve de ante-sala à visita que Calderón fará a Washington no dia 19 de maio, quando se reunirá com Obama, que lhe oferecerá um jantar de Estado.

Além disso, como parte da reunião de hoje, a secretária de Segurança Interna dos EUA, Janet Napolitano, assinou com seus colegas mexicanos dois acordos para reforçar a segurança da aviação e para compartilhar informação sobre antecedentes penais de repatriados mexicanos.

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