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25/03/2010 - 06h43

Obama "humilhou" Netanyahu, diz jornal

Jerusalém, 25 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, "humilhou" o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na reunião que mantiveram, informa hoje o jornal "Yedioth Ahronoth".

O encontro, realizado na terça-feira passada, em Washington longe dos olhos da imprensa, foi uma "emboscada" de um Obama "inflado" após a aprovação da reforma da saúde, segundo o jornal, que publica detalhes do que pode ter sido a reunião.

Logo após o início do encontro, o presidente americano teria perguntado ao chefe de Governo israelense que gestos estava disposto a tomar em direção aos palestinos para convencer-lhes a retomar o diálogo de paz, interrompido há mais de um ano.

Obama não ficou satisfeito com as respostas vagas e insistiu na necessidade de passos concretos, enquanto Netanyahu seguia falando em um marco teórico de possíveis medidas.

Também foi debatido o controvertido tema da construção de colônias judias em território palestino ocupado, que colocou os aliados em lados opostos quando Israel anunciou a edificação de 1.600 moradias durante a visita do vice-presidente dos EUA, Joe Biden.

Washington viu o anúncio como uma humilhação a seu vice-presidente e, segundo alguns comentaristas locais, Obama quis devolvê-la a Netanyahu, principalmente após saber que, horas antes, Israel tinha dado o sinal verde para a construção de outros 20 imóveis em Jerusalém Oriental.

Às 19h locais, após uma hora e meia de debate sem acordos, Obama se levantou da cadeira e disse: "vou à parte residencial (da Casa Branca) jantar com Michelle e as meninas".

"Estarei por aqui. Me diga se houver algo novo", teria respondido Netanyahu, sempre de acordo com o relato do jornal.

Depois, Netanyahu teria solicitado uma segunda reunião com Obama, que durou pouco menos de meia hora.

A Casa Branca não permitiu o acesso da imprensa antes ou depois do encontro, nem divulgou fotos oficiais, como manda o protocolo, o que pode ser interpretado como outra forma de humilhar seu convidado.

Ainda de acordo com o jornal, Obama ofereceu uma linha telefônica, como é costume, mas o chefe do Governo israelense temeu que a linha estivesse grampeada foi à embaixada de seu país para fazer suas chamadas.

Na reunião, Obama pediu para que Israel apresente treze gestos, sem contrapartida, rumo aos palestinos, e disse que espera uma resposta por escrito para esta quinta.

Entre as exigências está a ampliação, em setembro, da moratória parcial de dez meses na construção nos assentamentos judaicos na Cisjordânia, incluindo também Jerusalém Oriental, e a libertação de entre 100 e mil presos palestinos.

Netanyahu, que já começou a preparar a resposta, convocou uma reunião esta tarde em Jerusalém com seus sete principais ministros para estudar a situação.

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