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26/03/2010 - 20h36

Viagem de Córdoba ao Brasil inicia operação de libertação de reféns

Villavicencio (Colômbia), 26 mar (EFE).- A operação de entrega de dois reféns pelas Farc começou hoje com a viagem da missão humanitária liderada por Piedad Córdoba ao Brasil e depois que a guerrilha confirmou que as libertações são um fato, mas não a entrega dos restos mortais de um policial morto em cativeiro.

Fontes ligadas à senadora colombiana confirmaram à Agência Efe que a missão partiu de Bogotá em direção a São Gabriel de Cachoeira, onde os helicópteros que recolherão os reféns em um lugar das selvas do sul da Colômbia aguardam.

A missão é integrada por Córdoba, dois representantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), o bispo de Magangué, Leonardo Gómez, e dois membros do grupo Colombianos e Colombianas pela Paz (CCP), Hernando Gómez e Ricardo Montenegro.

"Começam as libertações", assegurou a senadora através da rede social "Twitter" pouco antes de partir para o Brasil, ao mesmo tempo em que expressou sua confiança em que "todos os compromissos adquiridos pelas partes se cumprirão".

Esta operação pôde ser iniciada em andamento após quase um ano de contatos entre Córdoba e as Farc, que em abril do ano passado se comprometeram a libertar de forma unilateral o sargento do Exército Pablo Emilio Moncayo e o soldado Josué Daniel Calvo.

Moncayo é o refém mais antigo em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), com 12 anos de cativeiro, enquanto Calvo, que aparentemente está muito doente, foi sequestrado alguns dias antes de a guerrilha anunciar sua disposição de libertar os militares.

A guerrilha também se comprometeu então a entregar os restos mortais do major da Polícia Julián Guevara, que morreu durante seu cativeiro em 2006.

No entanto, as Farc afirmaram hoje através de um comunicado divulgado pela "Agência de Notícias Nova Colômbia" ("Anccol") que não será possível cumprir com seu compromisso de entregar os restos de Guevara devido às "operações militares" na região.

"Enquanto o Governo afirma que facilitará as condições para o retorno dos prisioneiros (reféns), aumenta suas operações nas três áreas fazendo todo o possível para impedir as libertações", assinalou a guerrilha.

Mesmo assim, ressaltou que sua decisão de entregar os dois militares e os restos de Guevara é "irrevogável".

"Moncayo e Calvo estão prontos para sua libertação. Devemos adiar a entrega dos restos mortais do major Guevara, visto que o Exército ocupa a área onde se encontram", acrescentaram as Farc.

Diante deste primeiro tropeço, a mãe de Guevara pediu ao chefe das Farc, Guillermo León Sánchez, conhecido como "Alfonso Calo", que lhe indique onde estão os restos mortais de seu filho porque ela mesma iria a buscá-los.

Contudo, Córdoba deixou claro que a operação não se detém e assim os helicópteros emprestados pelo Governo brasileiro partirão amanhã para a cidade de Villavicencio, no centro da Colômbia.

Dali, as aeronaves, nas quais viajarão os membros da missão humanitária, irão no domingo para um lugar da selva, cujas coordenadas só são conhecidas pela senadora opositora, para recolher o soldado Calvo, que será levado como um homem livre a Villavicencio.

Na terça-feira, os helicópteros iniciarão uma segunda operação desde a cidade de Florencia, no sul do país, para receber Moncayo.

A missão devia ter sido iniciada na quinta-feira, mas o adiamento de uma reunião do CICV com o comandante das Forças Militares colombianas, general Freddy Padilla, impediu que o cronograma se cumprisse segundo os planos iniciais, o que atrasou tudo em 24 horas.

As Farc, em seu comunicado, exigiram do Governo de Álvaro Uribe que garanta as operações de resgate "sem provocações, armadilhas, com clareza frente às famílias, ao país e ao mundo".

Exigiram, além disso, "que se tornem públicos os protocolos estipulados" entre o Governo e a Cruz Vermelha, assinados na semana passada e pelos quais o Exército deve deter as operações de guerra nas regiões onde acontecerá a entrega dos reféns.

Enquanto isso, pessoas próximas, familiares, membros da Colombianos e Colombianas pela Paz, ONG dirigida por Piedad Córdoba, assim como dezenas de jornalistas, começam a se reunir desde esta noite em Villavicencio, o primeiro palco das libertações.

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