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27/03/2010 - 01h50

Justiça condena pai e madrasta da menina Isabella

São Paulo, 26 mar (EFE).- Um júri popular condenou o pai e a madrasta da menina Isabella Nardoni, morta em 2008 em um crime que comoveu o Brasil, e cujo julgamento chamou desde a última segunda-feira a atenção da imprensa e da população do país.

O juiz Mauricio Fossen leu a sentença contra os réus depois que o júri integrado por sete pessoas, quatro mulheres e três homens, se reuniu e votou após cinco dias de intensos debates do esperado julgamento.

Centenas de pessoas que acompanharam dia e noite o julgamento, poucos deles dentro da sala do tribunal, celebraram nos arredores do Fórum de Santana, em São Paulo, após a sentença ser lida pelo juiz.

Quando os primeiros quatro jurados se manifestaram contra os acusados, o resto da votação foi suspensa, já que a legislação prevê a necessidade de maioria simples para este tipo de situações.

O pai da menina, Alexandre Nardoni, deverá cumprir uma pena de 31 anos, um mês e dez dias por homicídio triplamente qualificado contra menor de quatorze anos e agravado por parentesco familiar, mais oito meses em regime semiaberto por fraude processual ao querer modificar a cena do crime.

A madrasta, Anna Carolina Jatobá, foi condenada a 26 anos e oito meses de reclusão e oito meses em regime semiaberto pelos mesmos delitos.

Isabella, então com cinco anos, foi encontrada morta no dia 29 de março de 2008 no jardim do condomínio onde o pai vivia com a segunda esposa, Anna Carolina, e os dois filhos do casal.

A menina vivia com a mãe, Ana Carolina de Oliveira, mas costumava passar os fins-de-semana com o pai, a madrasta e os irmãos.

Segundo a versão de Nardoni, que é advogado, e Anna Carolina, a madrasta, o crime foi cometido por um desconhecido pouco depois que a família, que estava em uma festa, voltou para casa.

O suposto criminoso, de quem nunca foram encontrados rastros, teria entrado no apartamento com a intenção de roubar pertences da família e empurrado a menina da janela do sexto andar, enquanto Nardoni e a mulher estavam na garagem, recolhendo as outras duas crianças, que tinham dormido no carro.

No entanto, as investigações apontaram que se tratou de um crime cometido pelo pai e pela madrasta por ciúmes da mulher com a menina, como declarou na noite da segunda-feira, no primeiro dia do julgamento, a mãe de Isabella, primeira testemunha a comparecer.

Os responsáveis pelo caso e os peritos legistas afirmaram que Isabella foi agredida dentro do automóvel e depois estrangulada no apartamento por sua madrasta. O pai, então, achando que ela estava morta, decidiu atirá-la pela janela, para simular o ataque cometido por uma terceira pessoa.

A mãe de Isabella afirmou que seu ex-marido era um homem violento, que inclusive chegou a ameaçá-la de morte por divergências no momento de escolher a escola da menina.

As provas técnicas constataram rastros de sangue dentro do automóvel de Nardoni e nos corredores do apartamento.

Os dois réus retornarão a prisões separadas no município de Tremembé, a 147 quilômetros de São Paulo, onde estão reclusos desde abril de 2008.

Nesses presídios também estão outros acusados e condenados de crimes que ganharam notoriedade na imprensa, e cuja segurança pessoal estaria em risco em outros centros carcerários.

A segunda pena de ambos, em regime semiabierto, só poderá ser cumprida após o fim da primeira.

A defesa anunciou imediatamente que apresentará recurso.

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