UOL Notícias Notícias
 

31/03/2010 - 17h07

Debate sobre troca de reféns por guerrilheiros presos ganha força na Colômbia

Bogotá, 31 mar (EFE).- O debate sobre uma possível troca de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) por guerrilheiros presos ganhou força na Colômbia, após a guerrilha anunciar que não fará mais libertações unilaterais como as de Pablo Emilio Moncayo e Josué Daniel Calvo.

O Alto Comissário para a Paz do Governo colombiano, Frank Pearl, assegurou hoje que é preciso buscar fórmulas para o acordo humanitário, mas advertiu que não está em suas mãos a libertação dos guerrilheiros extraditados aos Estados Unidos, entre outros Simón Trinidad, Sonia e Ivan Vargas.

As Farc querem que na troca proposta sejam incluídos os extraditados, além de um grupo de guerrilheiros detidos em prisões da Colômbia.

"A guerrilha sabe que isso não é possível, porque não está em nossas mãos", disse hoje Pearl a várias emissoras colombianas.

No entanto, Pearl ratificou a disposição do Governo para buscar "uma fórmula" para levar adiante a troca sob as condições determinadas pelo presidente Álvaro Uribe, que esta semana garantiu que os guerrilheiros das Farc ficariam livres, desde que não voltassem ao crime.

Uribe impôs essa condição em resposta ao anúncio da guerrilha de que não entregaria mais reféns, depois das libertações de Moncayo, nesta quarta-feira, e Calvo, no último domingo.

Após a libertação de Moncayo, que estava em cativeiro havia 12 anos e que, segundo o primeiro boletim médico, está em boas condições de saúde, a guerrilha reiterou ontem que o "caminho fica aberto" para que se faça de "imediato" uma troca de reféns por guerrilheiros presos.

A Igreja Católica, que esteve representada na missão de resgate de sábado e de quarta-feira, também defendeu hoje um acordo que permita os sequestrados recuperarem a liberdade.

Em declarações à imprensa local, o secretário da Conferência Episcopal da Colômbia, monsenhor Juan Vicente Córdoba, indicou hoje que o diálogo e a coordenação são o único caminho para solucionar as diferenças que existem entre as partes.

Ele pediu a colaboração entre as partes para iniciar negociações que levem a um acordo de troca de reféns por guerrilheiros presos.

"O ideal é que consigamos uma coordenação de paz na Colômbia com mesas de trabalho e diálogos. Se a troca é o caminho, seguiremos por aí", acrescentou.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Inzulza, e vários Governos da América e da Europa pediram hoje às Farc a libertação incondicional de todos os sequestrados.

Segundo dados do Ministério da Defesa colombiano, 50 pessoas são atualmente reféns das Farc, das quais 21 policiais e militares são os considerados pela guerrilha como "passíveis de troca".

O filho único do militar colombiano Líbio José Martínez, o refém mais antigo das Farc, pediu hoje à guerrilha que liberte seu pai, a quem não conhece pois nasceu depois que foi sequestrado há 12 anos.

"Digo hoje aos guerrilheiros, aos senhores das Farc, que por favor libertem meu pai. Já faz 12 anos e três meses que o levaram", implorou hoje Johan Steven Martínez em declarações ao canal "Caracol" de TV.

A missão humanitária que resgatou Moncayo e Calvo fará amanhã uma terceira operação para resgatar os restos do policial Julián Guevara, sequestrado em novembro de 1998 e morto em cativeiro em janeiro de 2006.

Pearl indicou que já foi aprovado o fim das operações militares na área onde amanhã será realizada a entrega dos restos, que serão submetidos a testes de DNA em laboratório para determinar com certeza que são os de Guevara. O resultado dos testes pode demorar entre dois e sete dias.

A missão sairá na quinta-feira da cidade de Villavicencio, capital do departamento de Meta (sudeste) e o corpo será entregue a Emperatriz de Guevara, mãe do policial morto, confirmou Adolfo Beteta, porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que estará representado na missão.

O grupo irá a um local não revelado do sul da Colômbia a bordo de um helicóptero brasileiro. Entre os integrantes da missão, está a senadora colombiana Piedad Córdoba, da ONG Colombianos e Colombianas pela Paz (CCP) e um sacerdote da Igreja Católica.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host