UOL Notícias Notícias
 

05/04/2010 - 09h42

Manifestantes exigem dissolução de partido governante na Tailândia

Bangcoc, 5 abr (EFE).- Os "camisas vermelhas" exigiram hoje que a Comissão Eleitoral da Tailândia dissolva o partido governante do país por financiamento ilegal, enquanto empresários e associações pediram o fim dos protestos da oposição em Bangcoc, devido a seu elevado custo para a economia.

Milhares de seguidores da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, a plataforma política dos "camisas vermelhas", criada por aliados do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, se apresentaram na sede da Comissão Eleitoral para intimidar seu presidente, Apichart Sukkhakanont.

"Queremos que a Comissão Eleitoral dissolva rapidamente o Partido Democrata, o mesmo que dissolveu o Partido do Poder do Povo (ligado a Shinawatra)", anunciou Kwanchai Praipana, um dos líderes do protesto.

Mas os responsáveis pela Comissão Eleitoral tinham deixado seus escritórios anteriormente, quando foram alertados sobre os planos da Frente Unida.

A carta com as exigências teve que ser recebida por um funcionário de baixo escalão que tentou em vão retirar os manifestantes do recinto.

Arisman Pongruengrong, líder dos "camisas vermelhas", que há um ano invadiram e impediram a realização de uma cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático, ordenou que seus seguidores entrassem na Comissão Eleitoral.

Centenas de "camisas vermelhas" se dirigiram ao edifício, mas recuaram ao receber uma ordem contrária, já que outro líder negociava em seu interior, por telefone.

A Comissão Eleitoral se comprometeu a emitir uma decisão sobre o suposto financiamento ilegal do Partido Democrata no dia 20 de abril, data em que os manifestantes prometeram voltar a sua sede para conhecer o resultado.

Um deputado do Partido do Poder do Povo denunciou às autoridades que o Democrata recebeu, em 2005, mais fundos que o permitido.

Se a denúncia for confirmada, a formação a será dissolvida.

Por sua parte, a Câmara de Comércio, Associação de Banqueiros, a Federação de Indústrias e o setor empresarial em geral do país pediram hoje que a Frente Unida deixe o centro de Bangcoc, tomado desde sábado.

O presidente da Câmara de Comércio da Tailândia, Dusit Nontanakorn, disse que os protestos na região originam perdas diárias de entre 200 e 300 milhões de bath (US$ 6,2 milhões e US$ 9,3 milhões).

O Ministério das Finanças foi mais longe e estimou em 10 bilhões de baths (US$ 312,5 milhões) as perdas geradas se a ocupação durar uma semana.

"Muita gente que vive e trabalha em Ratchaprasong (o nome em tailandês da região) está sofrendo com as manifestações, porque há hotéis, shoppings, escritórios e residências situados ali", apontou, em comunicado, a Associação de Comércios da Praça Ratchaprasong e a Associação de Shoppings da Tailândia.

Dezenas de lojas, grandes shoppings e restaurantes fecharam suas portas ao público no sábado, por medo de que as manifestações resultassem em distúrbios, enquanto os hotéis estão reforçando as medidas de segurança e recomendam prudência a seus hóspedes.

A Frente Unida considera ilegítimo o Governo de coalizão liderado pelo Partido Democrata, por não ter sido eleito nas urnas, mas por meio de pactos parlamentares, após a dissolução em 2008 do então governante Partido do Poder do Povo, por fraude eleitoral.

Esta semana e após dois encontros para negociações, os líderes dos "camisas vermelhas" rejeitaram a oferta do primeiro-ministro de dissolver o Parlamento e realizar eleições legislativas no final de 2010 e insistiram em que o processo comece em abril.

A Tailândia atravessa uma profunda crise política, fruto da disputa entre os partidários e opositores de Shinawatra.

O milionário ex-líder, atualmente no exílio, foi condenado à revelia a dois anos de prisão por um caso de corrupção em 2008.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,59
    3,276
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -1,54
    61.673,49
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host