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05/04/2010 - 06h07

Primeira policial indiana, K. Bedi, ainda luta por uma nova sociedade

Diego A. Agúndez.

Nova Délhi, 3 abr (EFE).- Popular em toda a Índia desde que fez com que um guindaste rebocasse o carro de Indira Gandhi, a primeira mulher policial indiana, Kiran Bedi, lutou durante 35 anos para criar uma cultura de honradez em uma corporação extremamente impopular e mesmo fora da Polícia ainda vela pela sua eficiência.

Bedi trabalhava no departamento de Tráfico quando, em 1982, o guindaste levou o veículo mal-estacionado da então primeira- ministra. A "ousadia" lhe garantiu a inimizade de gente poderosa e um apelido que ainda é lembrado na Índia: "Bedi Guindaste".

"Faria isso novamente se estivesse ali. Minha base é a justiça, portanto não faço diferença entre ricos e pobres, poderosos ou não", disse Bedi em entrevista à Agência Efe no seu escritório em Delhí em que dirige desde 2007 a Fundação Visão Índia (IVF, na sigla em inglês).

Apesar de já ser famosa como tenista, aquele fato e seu êxito em diferentes destinos lhe deram o carinho dos cidadãos, que a citaram como a "mulher mais admirada" em uma pesquisa de 2002, algo que ela associa com sua "honradez", "justiça" e "fair play".

Paradoxalmente, com suas propostas de reforma e sua fama de retidão, Bedi (1949) alcançou a popularidade em uma das instituições mais impopulares da Índia, salpicada por acusações de corrupção, ineficácia e desatenção com relação aos mais pobres.

Para melhorar a imagem do corpo, Bedi promove um modelo de "Polícia gandhiana", basicamente uma chefia transversal e próxima aos pontos de decisão, que ganha a confiança popular na base da honradez e integridade.

Muito diferente do modelo hierárquico da Polícia em que ela ingressou em 1972.

Naquele momento, lembrou, o corpo "não tinha nada chamado mulher", por isso ela teve que se adaptar as normas, instituições e instalações que até então tinham sido exclusivas dos homens.

"Não havia nada adaptado para mim: nem lugar para viver, nem lugares de treino, nem uniforme feminino. Minha resposta foi muito simples: posso compartilhar qualquer lugar. Superei os desafios de igual para igual", rememorou.

Bedi era bem vista e não gozações, "porque eu era melhor que a maioria", explica, ajudada pelas sessões de treino diário a que devia se submeter por seu status de tenista de elite.

Sua carreira foi a história da luta contra as práticas retrógradas da corporação, a qual necessitava, manteve, de uma mudança de organização e de conceitos: "não seria preciso valorizar o número de detenções, mas a prevenção do delito", resumiu.

A própria Bedi pregou com o exemplo e iniciou reformas no Tráfico, Prisões e Antinarcóticos, mas em 2007 atirou a toalha e fundou sua ONG, que, entre outras coisas, educa filhos de presos e atua como "guardiã" da corporação a que pertenceu.

E se alegra com sua decisão: "Se não tivesse saído, teria me desencantado. Mas segui adiante e comecei a fazer muitas outras coisas que estavam me esperando".

"Eu quero estar em um lugar onde haja uma sensação de conquistas e objetivos cumpridos. Fiz rádio, televisão, um documentário, um montão de viagens. Trabalho 17 horas por dia", disse.

Com a Ong, Bedi administra vários projetos de ajuda à mulher e a infância e também abriu uma linha telefônica para que os cidadãos possam denunciar casos de negligência ou inação policial, incluindo as negativas de registrar as denúncias.

Então seus ativistas entram em ação, falando pessoalmente com os oficiais e fazendo os policiais que se esquivaram do seu dever corar.

Os casos mais frequentes, contou, são os relativos à violência doméstica. Segundo Bedi ainda existe uma "falta de sensibilidade" a respeito na Índia e as mulheres sofrem muito com a discriminação.

As indianas precisam de "uma educação que as torne livres". "Não falo de alfabetização, mas de educação para habilidades: espirituais, coragem mental, tomada de decisões. Para poder criar coisas com a própria cabeça e com as próprias mãos", aposta Bedi.

Na Índia, a ignorância e a pobreza "vão frequentemente pelas mãos", mas a mulher já iniciou um desenvolvimento que fará com que as coisas "sejam diferentes em duas décadas".

Então, "elas estarão na primeira linha", aventurou uma das mulheres que abriu caminho para muitas outras na Índia.

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