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06/04/2010 - 16h01

EUA impõem mais limites a uso de armas nucleares

Macarena Vidal.

Washington, 6 abr (EFE).- O Governo dos Estados Unidos anunciou hoje novos limites ao uso e à quantidade de suas armas nucleares, mudando a política do país nas últimas décadas e abrindo o caminho para buscar um mundo livre de armamento atômico, segundo o presidente americano, Barack Obama, Em comunicado emitido após a publicação do relatório sobre a nova estratégia, Obama assegurou que a nova política reconhece que a maior ameaça "já não é a de uma troca nuclear entre países, mas o terrorismo nuclear e a proliferação a um número cada vez maior de Estados".

Obama, que fez da luta contra a proliferação nuclear um dos pilares de sua política externa, assegurou que a nova estratégia representa "um passo significativo" para tornar realidade sua proposta de um mundo sem armas nucleares, apresentada em Praga há um ano.

Além disso, permitirá reduzir o papel das armas atômicas na estratégia de segurança americana, acrescentou.

A nova estratégia nuclear dos EUA está contida na Revisão da Postura Nuclear (NPR), um documento emitido pelo Congresso com a chegada ao poder de cada presidente, e estabelece, entre outras coisas, que os EUA renunciarão a ameaçar ou atacar com armas nucleares países que respeitem seus compromissos dentro do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

Essa renúncia se estenderá inclusive se esses países atacarem os EUA com armas químicas ou biológicas, apesar de os americanos se reservarem o direito de modificar essa política caso o "potencial catastrófico" desses possíveis ataques cresça.

Em qualquer caso, o secretário de Defesa, Robert Gates, ressaltou em entrevista coletiva junto à secretária de Estado, Hillary Clinton, que os EUA responderiam com "força militar convencional devastadora" a qualquer possível ataque com armas químicas ou biológicas.

No caso dos países que não respeitarem o TNP, os EUA preveem "uma reduzida gama de circunstâncias nas quais as armas nucleares podem ter um papel".

Neste sentido, Gates fez uma dura advertência ao Irã e à Coreia do Norte, aos quais assegurou que "todas as opções estão sobre a mesa no que diz respeito a esses países", que desenvolvem programas atômicos apesar das objeções internacionais.

Devido às ameaças que esses países possam representar, os EUA não estão dispostos a se comprometer a utilizar "exclusivamente" seu arsenal atômico no caso de um ataque nuclear por parte de outro país, como esperavam alguns setores progressistas.

O relatório ressalta que se trabalhará "para estabelecer as condições nas quais se possa adotar com segurança essa política" no futuro. Neste sentido, o Governo dos EUA só prevê o uso de armas atômicas em "circunstâncias extremas".

A nova estratégia aponta também para uma redução dos arsenais nucleares americanos.

Os EUA não desenvolverão novas ogivas nucleares - mas podem usar componentes atômicos - e, caso seja considerada imprescindível a substituição de alguma das já existentes, será necessário uma autorização expressa do presidente.

O relatório adverte também que, junto à proliferação, o terrorismo nuclear é o "perigo mais extremo e imediato" da atualidade e grupos como a rede terrorista Al Qaeda estão dispostos a utilizar bombas atômicas caso tenham acesso a elas.

O documento abre uma autêntica 'semana nuclear' para o presidente americano.

Um dia antes de Obama embarcar para Praga para assinar o presidente russo, Dmitri Medvedev, será divulgado o novo tratado de redução de armamento atômico que substituirá o acordo Start de 1991, que venceu em dezembro.

Os EUA mantêm na atualidade perto de 2.200 ogivas nucleares, enquanto calcula-se que a Rússia conta com cerca de três mil.

O presidente americano também será o anfitrião na semana que vem em Washington de uma cúpula sobre segurança nuclear à qual estão convidados os chefes de Estado e de Governo de 47 países. O objetivo da reunião será dar passos concretos para garantir a segurança dos materiais nucleares em até quatro anos.

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