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06/04/2010 - 09h44

Guerrilha maoísta lança ataque mais sangrento contra Polícia indiana

Diego A. Agúndez
Nova Délhi, 6 abr (EFE).- Considerada pelo Governo da Índia como a mais grave ameaça interna, a guerrilha maoísta lançou hoje um de seus ataques mais sangrentos contra as forças de segurança, que deixou 67 mortos e seis desaparecidos no estado centro-oriental de Chhattisgarh.

O ataque ocorreu entre 6h e 7h locais (entre 21h30 e 22h30 pelo horário de Brasília), quando uma unidade da Força da Reserva Central da Polícia voltava de três dias de trabalho na floresta de Mukrana, na região de Bastar, explicou à Agência Efe o porta-voz da Polícia regional, R.K.Vij.

Naquele momento, vários maoístas começaram a atirar contra os policiais após atacarem um veículo militar e desencadearem várias explosões, acrescentou.

Outras fontes policiais citadas pelas agências indianas "Ians" e "PTI" estimaram entre 700 e 1 mil o número de guerrilheiros e em cerca de 100 o número de policiais da unidade atacada.

Após a emboscada, as autoridades ordenaram a mobilização de um amplo contingente de policiais regionais no local, onde as autoridades resgataram os corpos de 67 policiais e utilizaram um helicóptero para resgatar oito dos feridos.

Além disso, disse Vij, outros seis policiais continuam desaparecidos.

"As baixas são muitas. Estou profundamente comovido com a perda de vidas. Isso mostra a natureza selvagem dos maoístas e a brutalidade da qual eles são capazes", reagiu perante a imprensa o ministro de Interior da Índia, Palaniappan Chidambaram.

A área de Bastar compreende cinco distritos em cerca de 40 mil quilômetros quadrados e é considerada o eixo principal das atividades da guerrilha maoísta, que, segundo o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, representa a ameaça interna mais grave do país.

Embora um especialista na região citado pela agência "Ians" tenha criticado as tropas por "descuidar as normas de luta contra a guerrilha" e penetrar na floresta motorizados, Vij afirmou que a unidade ia a pé e levava apenas um veículo militar para sua proteção.

O Governo indiano lançou em setembro de 2009 uma operação antimaoísta, objeto de críticas entre intelectuais como a escritora Arundhati Roy, que denunciou recentemente que cerca de 200 mil adivasis (população tribal) tiveram que deixar suas casas por causa dos combates.

Segundo as autoridades, a violência maoísta é a que mais mortos causou na Índia nos últimos anos - 591 civis, 317 membros das forças de segurança e 217 insurgentes em 2009 -, mais até do que o conhecido conflito da Caxemira.

A guerrilha permanece ativa sobretudo no chamado "cinto vermelho", uma faixa de território no centro e no leste da Índia onde os rebeldes possuem inúmeros campos de treinamento e buscam o apoio dos camponeses.

Conhecidos na Índia como naxalitas após protagonizar uma revolta na aldeia bengali de Naxalbari em 1967, os maoístas lutam por uma revolução agrária de caráter comunista, e recorrem a sabotagens de instalações vitais, atentados contra as forças de segurança e campanhas de extorsão contra a população.

Sua influência cresceu nos últimos meses e, em fevereiro passado, o líder Koteswar Rao ofereceu uma trégua de 72 dias ao Governo em troca da suspensão da operação militar e do retorno ao diálogo.

Em resposta, Chidambaram exigiu então uma declaração oficial de renúncia à violência como condição prévia para as negociações.

A ação de hoje supera em gravidade o último grande golpe sangrento da guerrilha, um ataque em massa contra um acampamento da Força da Polícia especial em Chhattisgarh que deixou 55 policiais mortos em março de 2007.

Neste ano, as ações naxalistas causaram outros 34 mortos em um ataque com mina contra um ônibus policial no domingo passado e em um assalto a um acampamento policial em fevereiro, nos estados orientais de Orissa e Bengala, respectivamente.

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