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06/04/2010 - 19h17

Oposição peruana pedirá destituição de presidente por "incapacidade moral"

Lima, 6 abr (EFE).- O líder opositor Ollanta Humala anunciou hoje que o Partido Nacionalista Peruano (PNP) apresentará nas próximas horas um pedido para que o presidente do Peru, Alan García, seja destituído do cargo por "incapacidade moral permanente".

Humala declarou à Agência Efe que o pedido será feito por causa da "política de criminalização do protesto" existente no Peru e que, segundo ele, deixou mais de 70 mortos e 600 feridos nos quatro anos de gestão de García.

"O que estamos encontrando na conduta do presidente da República está tipificado na Constituição e se chama incapacidade moral permanente", afirmou.

"São mais de 70 mortos, mais de 600 feridos, um desaparecido, um asilado, mais de 1.300 cidadãos peruanos, a maioria líderes sociais, que estão judicializados pelo delito de 'protestar contra o Governo'", disse Humala.

Quase seis mil mineradores bloqueiam atualmente a estrada na cidade de Chala, 620 quilômetros ao sul de Lima, onde no domingo passado seis pessoas morreram, sendo cinco baleadas, em confrontos com a Polícia.

Os embates também deixaram 20 civis (15 baleados) e oito policiais feridos, informou hoje a Defensoria Pública.

Os mineradores protestam contra um decreto que pretende formalizar a mineração na região de Madre de Dios, onde há uma grande biodiversidade e cujo foco é a exploração artesanal de ouro.

García reiterou hoje que seu Governo não negociará com os mineradores até que estes desistam dos protestos e do bloqueio de estradas.

O presidente peruano advertiu que a obrigação de seu Governo é "cumprir e fazer cumprir as leis" e afirmou que "ninguém pode bloquear estradas sem se expor a uma denúncia e a uma punição penal".

No entanto, Humala disse que avaliará hoje os termos do pedido de destituição presidencial junto ao porta-voz de seu partido e que sua bancada também solicitará a interpelação ao primeiro-ministro, Javier Velásquez.

"Tem que haver uma responsabilidade política, não somente operacional, a qual corresponde aos comandantes policiais", disse Humala à Efe.

Segundo o opositor, o primeiro-ministro é "o grande coordenador de toda esta operação e é quem finalmente saiu com a posição intransigente de dizer que não vai dialogar".

Para Humala, há na atual Administração peruana uma política "de não dar importância à vida frente à aplicação de determinadas políticas que obedecem a interesses de grupos econômicos".

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