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07/04/2010 - 15h14

Distúrbios no Quirguistão resultam em renúncia do Governo, segundo oposição

Sergio Imbert.

Moscou, 7 abr (EFE).- O Governo do Quirguistão apresentou hoje sua renúncia e o presidente, Kurmanbek Bakiev, abandonou a capital do país, Bishkek, após os violentos confrontos entre Polícia e manifestantes antigovernamentais, anunciou a oposição local.

"Fomos à sede do Governo negociar. O primeiro-ministro, Daniar Usenov, assinou a renúncia do Executivo", afirmou Temir Sariev, um dos dirigentes opositores, citado por agências de notícias russas.

Os enfrentamentos entre a Polícia e os manifestantes no Quirguistão deixaram entre cinco e 20 mortos hoje, segundo diferentes fontes, após a repressão aos protestos políticos que reuniram milhares de opositores.

Os choques entre a Polícia e manifestantes, que tentaram invadir a sede do Governo em Bishkek, deixaram, além disso, 200 feridos na capital do país, onde os distúrbios ainda não diminuíram.

Já o opositor Omurbek Tekebayev, ex-presidente do Parlamento do Quirguistão, elevou para cerca de cem os mortos nos distúrbios.

"Pelos nossos dados, morreram cerca de 100 pessoas", afirmou Tekebayev, em um discurso na televisão pública, cujas transmissões estão controladas pela oposição, segundo a agência russa "Interfax".

A oposição tem o objetivo de derrubar Bakiev, que assumiu o poder após a Revolução das Tulipas, em 2005, e que agora é acusado de corrupção e de violações dos direitos humanos.

A Polícia reforçou a vigilância na sede do Governo, onde fica o escritório presidencial, e conseguiu evitar um ataque de milhares de opositores, que, por sua vez, ocuparam a sede do canal de televisão estatal e cortaram as transmissões dos dois canais oficiais.

Segundo fontes oficiais, os agentes utilizaram gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes, que tentaram derrubar com um caminhão as barreiras em volta da sede do Executivo, mas foram controlados pela Polícia.

No entanto, Toktaim Umetalieva, ativista de direitos humanos, declarou à imprensa que as forças da ordem abriram fogo e mataram 10 manifestantes que tentavam invadir a sede do Governo.

Dinara Oshurajunova, dirigente da coalizão Pela Democracia e a Sociedade Civil, afirmou, por sua vez, que vários manifestantes foram mortos por franco-atiradores que dispararam a partir do prédio do Governo.

Larisa Kachibekova, dirigente do Ministério da Saúde, cifrou as vítimas da violência em 17 mortos e 142 feridos, segundo a agência quirguiz "Khabar".

As autoridades afirmam que os opositores estão armados com armas de fogo e paus, barras, pedras e coquetéis molotov, e diversas fontes informaram que a sede de televisão foi saqueada, além do registro de diversos atos de vandalismo pela cidade.

Agências locais têm divulgado informações sobre tiroteios esporádicos e choques nas ruas da capital, enquanto o Governo anunciou o fechamento indefinido do aeroporto internacional de Manas.

A deputada Irina Karamushkina, do Partido Social-Democrata, advertiu que a oposição não controla os manifestantes em Bishkek, já que seus principais dirigentes foram detidos pela Polícia e pelo Serviço de Segurança Nacional.

Foram presos o líder da oposição, o ex-primeiro-ministro Azlambek Atambayev, Omurbek Tekebayev, Isa Omurkulov e Temir Sariev, enquanto a deputada Rosa Otunbayeva, ex-ministra de Exteriores, passou para a clandestinidade.

Também há informações sobre concentrações, enfrentamentos e desordens em outras cidades, como Naryn, onde outro dirigente opositor, o ex-procurador-geral Azimbek Beknazarov, declarou que "o objetivo principal não é derrubar as autoridades locais, mas mudar o poder no país".

O Ministério do Interior desmentiu, por sua vez, informações sobre a suposta morte de seu titular, Moldomusa Kongantiev, nos choques registrados em Talas, cidade a oeste da capital Bishkek, onde mais de 80 policiais foram feridos nos primeiros enfrentamentos.

Kongantiev disse que "o movimento popular opositor cruzou o limite da legalidade e cometeu crimes em Talas" e prometeu ações rígidas com os manifestantes.

A imprensa local afirma que muitas lojas e escritórios no centro da capital foram fechados e que há longas filas nos postos de gasolina.

A embaixada dos Estados Unidos em Bishkek e a Chancelaria russa em Moscou se manifestaram e pediram diálogo entre o Governo e a oposição e que evitem a escalada de violência. A Rússia colocou sua base aérea de Kant, próximo à capital quirguiz, em estado de alerta.

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