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08/04/2010 - 13h31

"Camisas vermelhas" desafiam estado de exceção em Bangcoc

Gaspar Ruiz-Canela.

Bangcoc, 8 abr (EFE).- Os "camisas vermelhas" desafiaram hoje o estado de exceção declarado na véspera pelo Governo da Tailândia em Bangcoc e mantiveram seu protesto para forçar às autoridades a convocar eleições antecipadas.

Os manifestantes, seguidores do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, ameaçaram travar uma luta na capital tailandesa se não forem atendidos.

"Não sabemos o que ocorrerá, mas posso afirmar que os protestos não vão parar, embora a Polícia tente impedir os manifestantes", afirmou Natthawut Saikua, um dos chefes da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, o organizador da mobilização.

As duas áreas que controlavam na capital, onde ficam os prédios do Governo e a área comercial, ficaram quase desertas, mas seu número cresceu em províncias, principalmente nas do norte e nordeste, onde sua força é maior.

Pelo menos 17 manifestações, em outras tantas províncias, se organizaram hoje em apoio da luta que sustentam os grupos na capital do país.

Os corpos de segurança estabeleceram controles nos acessos a Bangcoc para impedir a entrada de mais "camisas vermelhas".

O ministro tailandês de Defesa, Prawit Wongsuwan, disse em entrevista coletiva que o estado de exceção tem como objetivo prevenir atos de violência durante as manifestações e descartou que a Polícia e o Exército vão dissolver o protesto.

Até o momento, as autoridades evitaram o emprego da força com os "camisas vermelhas" e os únicos incidentes violentos ocorridos são provenientes das mais de 30 granadas e bombas atiradas por desconhecidos contra prédios do Governo, quartéis, agências bancárias e sedes de empresas de comunicação, que já causaram cerca de 20 feridos.

O ministro da Defesa classificou de ilegal a ocupação feita pelos "camisas vermelhas" do centro da capital, desde o sábado, e que mantém 12 complexos comerciais de luxo fechados.

A declaração do estado de exceção foi aprovada depois que mil manifestantes invadiram o Parlamento, permitindo assim que o Exército assumisse o controle da segurança e declarasse o toque de recolher, entre outras ações.

Em aplicação do decreto, as autoridades cortaram hoje o sinal de transmissão do canal de televisão por satélite "PTV", o único que apoia os protestos, por incitar à violência e a subversão.

Devido à agitação civil, o primeiro-ministro do país, Abhisit Vejjajiva, cancelou sua viagem ao Vietnã, para assistir hoje e amanhã à cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), e Estados Unidos.

A mobilização antigovernamental começou com 100 mil pessoas em Bangcoc, em 14 março, e com um contingente de 50 mil soldados e policiais para proteger a capital.

O Governo e três chefes da Frente Unida mantiveram duas rodadas de negociações, em 28 e 29 de março, que foram transmitidas ao vivo pelas redes estatais de televisão.

Nelas, o primeiro-ministro tailandês ofereceu dissolver o Parlamento e convocar eleições dentro de nove meses, mas a Frente Unida exigiu em um prazo máximo de 15 dias e interrompeu o diálogo.

Tailândia atravessa uma profunda crise política fruto da disputa entre os seguidores e detratores de Shinawatra, que gerou o golpe de Estado de 2006.

Shinawatra, um ex-coronel da Polícia que conquistou as classes populares com políticas sanitárias e sociais, foi condenado à revelia a dois anos de prisão por um delito de corrupção em 2008 e vive no exílio.

Quase diariamente, o milionário ex-líder se dirige por videoconferência a seus seguidores, que consideram o atual chefe do Governo, do Partido Democrata, um testa de ferro do Exército.

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