UOL Notícias Notícias
 

08/04/2010 - 06h10

Falta de planejamento agrava pior seca do século no sul China

José Álvarez Díaz.

Taijiang (China), 8 abr (EFE).- A falta de antecipação diante da possibilidade de uma grave escassez de chuva no sul da China, assim como redes de irrigação insuficientes e obsoletas, estão agravando a pior seca sofrida na região no último século, que já afeta mais de 51 milhões de pessoas.

"Nos últimos dias choveu várias vezes, o que molhou a superfície do campo, mas a terra no interior segue seca", disse à Agência Efe Fan Zhongsheng, porta-voz da Prefeitura de Qiangdongnan, na província de Guizhou, que assegura que a previsão para a seca na região é de que durará no mínimo até o final de abril.

Somente em sua Prefeitura, de 4,5 milhões de habitantes, 1,8 milhões foram afetados pela seca, dos quais 1,3 milhões enfrentam problemas para conseguir água potável para si próprios e para matar a sede de seus animais, como búfalos, vacas, patos e frangos.

As plantações de couve da região foram destruídas e o Governo local está investindo na substituição dos tradicionais cultivos de arroz, por milho ou outros vegetais que exijam menos água.

Caminhando por Tianyuan, uma aldeia do condado de Taijiang, Fan admite que a seca surpreendeu a região desprevenida.

Em casos anteriores, a escassez de água nunca tinha durado mais que 30 ou 40 dias. A atual já dura 224 em aldeias em que não caiu uma gota de água desde agosto do ano passado.

"A princípio não prestaram muita atenção à seca, mas a falta de chuvas durou demais e se tornou cada vez mais difícil encontrar água para beber e para a agricultura", da qual quase a metade da economia local depende, disse Fan.

A "vantagem natural" de uma zona tão montanhosa tinha sido suficiente até agora, e a situação não seria tão grave se houvesse um melhor planejamento, com reservas de águas maiores e atenção à necessidade de manter os montes arborizados, cujas raízes facilitam a retenção da água na terra.

"Em uma aldeia do condado vizinho de Siyang, o líder local estimula o plantio de árvores há mais de duas décadas, ano após ano, e agora não estão sofrendo tanto a seca", disse.

Por sorte, "até agora não houve mortes pela seca", afirmou. Portanto, o estado de ânimo da população está "estável, sem altos e baixos emocionais", enquanto os Governos locais fizeram do problema sua máxima prioridade. Há líderes que estão distribuindo água com seu próprio carro.

Um total de 17 aviões do Exército chinês tem provocado chuvas artificiais nas últimas semanas nos céus de Yunnan, Guizhou, Sichuan e Guangxi Zhuang, as províncias e regiões mais afetadas. Além disso, mais de 4 mil oficiais da Polícia foram mobilizados para garantir o fornecimento de água.

Enquanto isso, foram construídos nas últimas semanas 3.100 desvios de águas, 11.200 novos poços e realizadas 58.600 obras de irrigação, fatores que deveriam ser encarados como prioridades há décadas, segundo especialistas, como Zheng Fengtian, subdiretor da Escola de Economia Agrícola e Desenvolvimento Rural da Universidade Popular da China.

"Os efeitos devastadores da atual seca demonstram que o que falta no sul da China não é só água, mas pequenos projetos de irrigação de terrenos de cultivo", disse Zheng, na última edição do semanário "Beijing Review".

A maior parte desta infraestrutura não foi renovada desde os anos 60, quando o campo chinês era coletivizado e o Governo construiu uma ambiciosa rede de irrigação. Desde a década de 70, a gestão da terra está nas mãos dos camponeses.

"A maioria das instalações de irrigação rural dos anos 50 e 60 está estragando, já que os camponeses não se veem motivados a construir outras novas, e deixam a produção completamente à mercê do clima", explica Zheng. Por isso, hoje, a China é capaz de regar somente 48% de seus cultivos.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,56
    3,261
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h21

    1,28
    73.437,28
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host