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08/04/2010 - 18h13

Na 1ª viagem de Piñera, Chile reforça relação com Argentina

Buenos Aires, 8 abr (EFE).- Os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e do Chile, Sebastián Piñera, se comprometeram hoje em Buenos Aires a fomentar a relação "estratégica" bilateral e negaram que algumas diferenças políticas prejudiquem isso.

O presidente chileno aproveitou a visita, a primeira que faz ao exterior no poder, para convidar empresários argentinos a investir no Chile, que, como destacou, "tem tratados de livre-comércio com 58 países".

"A Argentina se tornou o primeiro destino dos investimentos chilenos, e há uma necessidade de que a troca comercial se fortaleça em ambas as direções", assinalou Piñera, durante um almoço oferecido por Cristina no Palácio San Martín, em Buenos Aires.

Com uma participação de 8%, o Chile é o terceiro destino das exportações da Argentina, que no ano passado chegaram a US$ 55,750 bilhões, segundo estatísticas argentinas.

Piñera, que partirá hoje para o Brasil, também convidou os empresários argentinos a participar dos esforços de reconstrução do Chile, que ainda tenta se reerguer do terremoto de 8,8 graus na escala Richter de 27 de fevereiro que deixou quase 500 mortos.

O presidente agradeceu a Cristina pela ajuda enviada pela Argentina após a tragédia.

Cristina "ofereceu a mais ampla colaboração e disposição" de seu Governo para o processo de reconstrução no Chile, durante a reunião que mantiveram durante cerca de uma hora na sede do Governo argentino antes do almoço, segundo fontes oficiais.

Após a reunião, os dois líderes assinaram uma declaração conjunta para ratificar "a força da relação estratégica" bilateral e a continuidade do tratado de Maipú de integração e cooperação, assinado pelos dois países em 30 de outubro.

"Tenho certeza que avançaremos em uma integração econômica, cultural, científica, tecnológica e física", destacou o presidente chileno, que viajou para Buenos Aires acompanhado de membros de seu Gabinete e de legisladores.

Em breve declaração à imprensa, Cristina e Piñera concordaram em trabalhar para dar um "passo adiante" nas relações bilaterais.

Cristina, que mostrou sua "admiração" pelo "patriotismo" do povo chileno, ressaltou também a "vontade política e histórica" da Argentina de "seguir aprofundando o processo de integração" com o Chile.

"Talvez tenha havido alguns temores ou apreensões pelo fato de um Governo de um sinal político não similar ao da República da Argentina poder afetar as relações. Quero garantir a todos, argentinos e chilenos, que em absoluto pode acontecer uma coisa assim", afirmou.

Piñera também pediu a flexibilização dos trâmites burocráticos e considerou "absurdo gastar bilhões de dólares em túneis" que aproximam os dois países e, ao mesmo tempo, encontrar uma alfândega que os "afasta".

"A integração física não é um problema de engenharia, mas de atitude e vontade", afirmou Piñera, que junto à presidente argentina se comprometeu a "estender a aplicação dos controles integrados na fronteira", como diz a declaração conjunta.

"O melhor nas relações de Chile e Argentina ainda está pela frente", destacou o presidente, que hoje se reuniu também com o prefeito de Buenos Aires, o conservador Mauricio Macri.

Enquanto Piñera e Cristina apostavam publicamente em potenciar a relação estratégica bilateral, ministros, funcionários e empresários dos dois países mantiveram uma reunião paralela para analisar as possibilidades de ampliar a cooperação de acordo com as prioridades do Governo Piñera, como explicaram porta-vozes oficiais.

O presidente chileno evitou fazer alusão à posição que seu país tomará sobre a possível designação do ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner (2003-2007) como secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), no momento em que Cristina busca ganhar apoio para o marido.

Em coincidência com a visita, a Argentina deu o consentimento ao embaixador designado do Chile, Miguel Otero Lathrop, que segundo a imprensa local tinha gerado "dúvidas" no Governo Kirchner por seu suposto passado ligado ao ditador chileno Augusto Pinochet.

Piñera e Cristina, que devem estar na próxima semana na cúpula sobre segurança nuclear de Washington, se comprometeram a ir aos atos pelo bicentenário do país vizinho.

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