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08/04/2010 - 11h13

Obama e Medvedev assinam novo acordo de desarmamento nuclear

Macarena Vidal.

Praga, 8 abr (EFE).- Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dmitri Medvedev, assinaram hoje em Praga o novo Start, tratado de desarmamento nuclear que reforça a relações entre os dois países e supõe um passo adiante na luta contra a proliferação atômica.

Com mais de meia hora de atraso, os dois presidentes distribuíram sorrisos enquanto assinavam o acordo, selado com um aperto de mãos na Sala Espanhola del Castillo de Praga.

O tratado foi fruto de mais de um ano de negociações e limita a 1.550 as ogivas nucleares por país. Ele representa o fim da "separação" nas relações bilaterais dos últimos anos, assegurou o presidente americano, que indicou que no futuro haverá cortes ainda maiores no armamento dos dois países.

A Casa Branca anunciou uma visita de Medvedev a Washington neste inverno, como prova da melhora da relação entre as nações.

O presidente russo, por sua vez, advertiu que nem tudo será um mar de rosas no futuro. Para Moscou o maior empecilho são os planos americanos de defesa antimísseis, em particular o escudo que substituirá o escudo descartado ano passado no Leste europeu.

A Rússia incluiu uma declaração que diz que o tratado só será viável "se não houver aumento, nem do ponto de vista de quantidade nem de qualidade, da capacidade dos sistemas de defesa antimísseis dos EUA".

"Estamos interessados em cooperar o máximo possível com nossos parceiros americanos neste assunto", disse Medvedev. "Colocamos nossos serviços para o estabelecimento de um sistema de defesa antimíssil global a disposição dos EUA. Precisamos meditar", acrescentou.

Por sua vez, Obama minimizou a declaração ao assegurar que é "habitual" que os países incluam salvaguardas unilaterais neste tipo de tratado e disse que Moscou e Washington concordaram em manter um diálogo sobre a defesa antimísseis.

Os EUA também asseguraram que seus projetos não representam nenhuma ameaça à Rússia.

Em entrevista coletiva no fim da cerimônia, o líder americano se mostrou muito menos conciliador com o programa nuclear de Teerã. "A minha expectativa é de que obteremos sanções firmes e duras ainda nesse outono" no Conselho de Segurança da ONU contra o Irã. "Não toleraremos atos que possam suscitar uma corrida de armamentos em uma região vital e que ameacem a credibilidade da comunidade internacional e nossa segurança coletiva", afirmou.

Já Medvedev defendeu à imposição de sanções "inteligentes" que induzam o Irã a um "comportamento apropriado".

O acordo assinado hoje substitui o Start de 1991, que expirou em dezembro, além de baixar para 1.550 ogivas e 800 vetores de lançamento o número de equipamentos nucleares de cada país.

Além disso, limita a 700 o número de mísseis balísticos intercontinentais, mísseis balísticos estratégicos em submarinos e aviões bombardeiros estratégicos equipado com armamento nuclear que cada parte pode ter.

O tratado ainda precisa ser ratificado pelos Legislativos dos EUA e da Rússia para entrar em vigor, o que ainda deve levar alguns meses.

Obama acredita que o Senado americano, onde é preciso dois terços da Câmara para a aprovação, irá dar o sinal verde para o acordo antes do final do ano.

O Start foi assinado quase exatamente um ano depois que Obama fez, também em Praga, um discurso em que propôs um futuro sem armas nucleares. Os dois países controlam 90% das armas nucleares que calcula-se que existam no mundo, o que torna o acordo um passo importante rumo a essa meta.

Washington acredita que o tratado dará força moral para exigir que outros países cumpram sua parte na luta contra a proliferação atômica.

Na próxima semana Obama deve liderar uma cúpula sobre segurança nuclear em Washington na qual participarão 47 países. O presidente americano deseja conseguir então compromissos concretos para garantir a segurança de todos os materiais nucleares no mundo no prazo de quatro anos.

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