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09/04/2010 - 09h30

Bush sabia que havia presos inocentes em Guantánamo, diz jornal

Londres, 9 abr (EFE).- O ex-presidente americano George W. Bush e os principais nomes de seu Governo sabiam que na prisão de Guantánamo havia presos inocentes, segundo um documento revelado hoje pelo jornal britânico "The Times".

O documento é uma declaração assinada pelo coronel Lawrence Wilkerson, assessor do ex-secretário de Estado americano Colin Powell, para apoiar um processo judicial apresentado por um detido - por suposto envolvimento com a Al Qaeda - em Guantánamo.

É o primeiro depoimento por escrito de um alto funcionário do Governo Bush (2001-2009) que reconhece que Washington manteve vários detentos na base naval da ilha de Cuba com pleno conhecimento de que não pertenciam a grupos terroristas.

Wilkerson é especialmente crítico no documento ao ex-vice-presidente americano Dick Cheney e ao ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld. Segundo ele, ambos rejeitaram libertar os prisioneiros de inocência comprovada.

No testemunho, Wilkerson afirma que a Casa Branca teve a certeza de que a maioria dos 742 prisioneiros enviados inicialmente a Guantánamo em 2002 era de inocentes.

O militar, muito crítico nos últimos anos à política antiterrorista e militar da Administração Bush, explica que os prisioneiros nunca viram um soldado dos EUA quando foram detidos e que muitos foram "vendidos" por Afeganistão e Paquistão por US$ 5 mil cada.

O coronel Wilkerson afirma que o ex-vice-presidente não se preocupava com que a grande maioria dos detidos de Guantánamo fosse de inocente. "Se centenas de indivíduos inocentes tinham que sofrer para deter alguns terroristas destacados, que assim fosse", diz no texto.

O militar, que serviu durante 31 anos nas Forças Armadas dos EUA, explica que discutiu o assunto com Powell e comprovou que "sua visão era de que não só o vice-presidente Cheney e o secretário Rumsfeld, mas também o presidente Bush, estavam envolvidos em todas as decisões relacionadas com Guantánamo".

Wilkerson assinou a declaração com essas afirmações em apoio a Adel Hassan Hamad, sudanês que esteve preso em Guantánamo entre março de 2003 e dezembro de 2007 e que denunciou o Governo dos EUA pelas torturas que teria sofrido.

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