UOL Notícias Notícias
 

09/04/2010 - 15h04

Governo provisório do Quirguistão inicia consultas com Rússia, ONU e OSCE

Sergio Imbert.

Moscou, 9 abr (EFE).- O Governo provisório do Quirguistão abriu hoje consultas com a Rússia, a Organização sobre a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e a ONU para conseguir apoio diplomático internacional e evitar a explosão de um conflito civil após as revoltas que derrubaram o presidente Kurmanbek Bakiyev.

"A situação no Quirguistão nos preocupa. Conversamos sobre a necessidade de evitar a violência e garantir a segurança, a estabilidade e os direitos humanos", disse Zhanibek Karibzhanov, enviado especial da OSCE, depois de se reunir em Bishkek com Rosa Otunbayeva, a chefe do Governo provisório quirguiz.

Otunbayeva informou ao enviado da OSCE que o deposto Bakiyev se nega a renunciar ao cargo de presidente e tenta reunir seus partidários e representantes de seu clã familiar.

Bakiyev, que está refugiado na cidade de Markai, na região de Jalal-Abad, só rompeu seu silêncio ontem para assegurar que não renunciará, mas admitiu que não pode influir na situação no Quirguistão, ex-república soviética de 5,3 milhões de habitantes.

Otunbayeva pediu à comunidade mundial para que haja investigações sobre os "abusos do regime de Bakiyev", derrubado na quarta-feira passada após violentos confrontos entre policiais e manifestantes opositores na capital que deixaram 76 mortos e 1.500 feridos.

Otunbayeva foi ministra de Assuntos Exteriores e comandou a Revolução das Tulipas de 2005. Ela rejeitou qualquer diálogo com Bakiyev, mas assegurou que seu Governo permitirá que este deixe o país caso renuncie voluntariamente.

A nova líder quirguiz ressaltou que já foi emitida uma ordem de busca e captura do irmão de Bakiyev, Zhanysh Bakiyev, o chefe dos serviços secretos que ordenou atirar contra a multidão, e do filho mais novo deste, Maxim, que controlava a economia e as finanças do Quirguistão, considerado o país mais pobre de Ásia Central.

A chefe do Governo provisório descartou a possibilidade de uma guerra civil e ressaltou que as novas autoridades contam com suficiente respaldo no sul e sudoeste do país, onde Bakiyev se refugia, segundo a agência "Akipress.kg".

Junto com Karibzhanov - diplomata do Cazaquistão, país que preside atualmente a OSCE -, também chegou hoje à capital quirguiz Jan Kubis, enviado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Além disso, chegarão a Bishkek no sábado Hebert Salber, diretor do centro de prevenção de conflitos da OSCE, e o representante especial da União Europeia (UE) para a Ásia Central, Pierre Morel.

Fontes diplomáticas em Bruxelas destacaram hoje que a visita de Morel será crucial para o reconhecimento do novo Governo quirguiz por parte dos países comunitários e da UE.

"Não há uma rejeição ao novo gabinete na UE. Seu reconhecimento dependerá de sua capacidade de garantir a ordem e de proteger os cidadãos do caos", disse um diplomata comunitário à agência russa "Itar-Tass".

Simultaneamente, o Governo provisório iniciou negociações com a Rússia, o primeiro país cujos dirigentes expressaram seu apoio às novas autoridades quirguizes e ofereceram ajuda humanitária e econômica.

O vice-primeiro-ministro quirguiz Almazbek Atambayev chegou hoje a Moscou com a missão de negociar empréstimos e obter apoio moral e diplomático da Rússia, que mantém sua influência na Ásia Central e conta com uma base aérea próxima a Bishkek.

"O principal nesta visita é obter o reconhecimento dessa grande potência mundial, o que acabaria com as esperanças de uma revanche entre os partidários de Bakiyev", disse Omurbak Tekebayev, outro vice-primeiro-ministro quirguiz, ao site russo "Gazeta.ru".

Segundo Tekebayev, as consultas com Moscou têm uma importância "política e moral" que poderia incluir um "componente militar", transformando os paraquedistas da base aérea russa de Kant, em território quirguiz, em "garantidores da estabilidade" ou em uma força de paz em caso de conflito interno.

Tekebayev lamentou que seu Governo não tenha obtido similar apoio por parte dos Estados Unidos, que tem no Quirguistão um centro de passagem de cargas para o Afeganistão, crucial para a campanha militar afegã.

Mas Bishkek recebeu com satisfação o anúncio de que as autoridades americanas se negaram a receber o chefe da diplomacia de Bakiyev e seu filho Maxim, surpreendidos nos EUA pela queda do regime, acusado de autoritarismo e corrupção.

Embora Tekebayev tenha deixado em aberto a possibilidade de Bishkek fechar a base americana, que retomou seu funcionamento normal hoje após reduzir os voos para o Afeganistão durante as revoltas no Quirguistão, Otunbayeva, ex-embaixadora quirguiz nos EUA e no Reino Unido, descartou tal possibilidade.

"São especulações", sentenciou a nova líder quirguiz, ao assegurar que seu Governo cumprirá todos os acordos e compromissos internacionais assumidos pelo país, segundo a agência "24.kg".

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host