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09/04/2010 - 12h05

Milhares comparecem a funeral de líder da extrema-direita sul-africana

Helen Cook.

Ventersdorp (África do Sul), 9 abr (EFE).- Milhares de simpatizantes da extrema-direita sul-africana se reuniram hoje em Ventersdorp, no noroeste do país, para o funeral de seu líder, Eugene Terreblanche, assassinado no sábado passado em sua fazenda.

Em um momento de grande tensão racial no país, o funeral foi dominado por um ambiente de muita emoção, com mil pessoas dentro da igreja protestante de Ventersdorp e quase três mil do lado de fora.

Muitas delas carregavam bandeiras e vestiam uniformes paramilitares com o layout neonazista do Movimento da Resistência Africâner (AWB), o partido fundado por Terreblanche.

Coberto com a bandeira do AWB e um ramo de flores, o caixão de Terreblanche foi levado para dentro da igreja, onde ficou situado junto a um palanque, ao lado de uma foto do líder de extrema-direita montado em seu cavalo.

Em seu sermão, todo na língua africâner, o reverendo Ferdie Devenier pediu aos presentes que recorram a Deus para conseguir seu próprio país, defendeu uma "teocracia" e afirmou que a democracia criou um estado "pecaminoso".

O cantor Steve Hofmeyr também discursou e criticou os quase 200 jornalistas de todo o mundo presentes ao ato, os quais chamou de "sabujos" dispostos a informar dos atos do "sanguinário" povo africâner.

Após o funeral, que começou e acabou com "Die stem" ("O Chamado", em africâner) o hino nacional sul-africano durante o regime do apartheid, o caixão de Terreblanche foi levado para sua fazenda, a dez quilômetros de Ventersdorp, onde foi enterrado em um pequeno cemitério familiar na presença de 200 familiares, pessoas próximas e dirigentes de seu partido.

Desde a manhã, a Polícia montou em Ventersdorp um forte esquema de segurança, contando inclusive com uma equipe de desativação de explosivos.

Os agentes reforçaram a proteção da ministra de Agricultura, Dipuo Peters, que compareceu como representante do Governo.

Praticamente todos os presentes ao ato eram brancos, salvo pela presença de Peters e de alguns jornalistas e policiais negros.

Embora a maior parte dos presentes tenha mantido a calma, houve momentos de tensão. Segundo a rede de televisão "eTv", um de seus cinegrafistas foi agredido por um membro do AWB, enquanto outros mostraram aos jornalistas sua intenção de vingar a morte de Terreblanche.

Antes do funeral, o secretário-geral do AWB, Andre Visage, disse aos jornalistas que negociarão "pacificamente" com o Governo "proteção para nossos fazendeiros, como assunto primeiro e principal".

"Se não nos sentirmos satisfeitos com as negociações, retornaremos à nossa nação e veremos que devemos fazer, mas a violência é o último recurso", acrescentou.

O novo líder do AWB, Steyn van Ronge, se reuniu com a família de Terreblanche na casa do dirigente histórico da extrema-direita sul-africana e foi um dos que presidiram o funeral.

O assassinato de Terreblanche foi atribuído a dois empregados negros, de 28 e 15 anos, que tinham discutido com ele por causa de suas condições de trabalho.

A morte evidenciou a tensão racial e o desequilíbrio social na África do Sul, onde os negros são 80% da população contra 9% de brancos, justamente os que controlam a maior parte da economia local.

Antes mesmo do assassinato de Terreblanche, já vinha acontecendo uma escalada da tensão racial na África do Sul de acordo com opositores, grupos sociais e religiosos, para os quais o líder da juventude do governante Congresso Nacional Africano (CNA), Julius Malema, vinha incitando o ódio contra os brancos.

O CNA condenou hoje pela primeira vez as atitudes de Malema depois que este insultou e expulsou ontem de uma entrevista coletiva uma jornalista da "BBC" e defendeu a política do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, o que também lhe valeu a condenação unânime de jornalistas e veículos de comunicação.

No começo do mês passado, Malema começou a entoar em seus comícios um hino do CNA do período do apartheid que diz "mate os bôeres". Dois tribunais acabaram proibindo que a música fosse cantada em público.

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