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10/04/2010 - 18h18

Pelo menos 15 mortos e mais de 660 feridos em confrontos em Bangcoc

(Atualiza número de vítimas e fornece outros dados)
Bangcoc, 10 abr (EFE).- Pelo menos 15 pessoas morreram e mais de 660 ficaram feridas nos confrontos ocorridos hoje em Bangcoc, entre as forças de segurança e os manifestantes que querem a queda do Governo da Tailândia.

Os enfrentamentos começaram depois que o Governo determinasse às forças de segurança a ordem de recuperar o controle das áreas públicas da capital, sob controle dos chamados "camisas vermelhas".

O Governo ordenou ao Exército e à Polícia que retirasse da área comercial da capital os ativistas, que resistiram com paus, barras de ferro e bombas incendiárias contra os efetivos das brigadas antidistúrbios e os soldados.

Na "terra de ninguém", local onde os opositores montaram seu acampamento, os "camisas vermelhas" tentam deter as tropas governistas.

O Ministério da Saúde indicou em nota que, das mais de 660 pessoas feridas, cerca de 240 eram soldados e policiais, e o restante civis, entre eles um repórter fotográfico da agência de notícias "Reuters", identificado como Hiroyuki Muramoto, que levou um tiro no estômago e morreu pouco depois.

Muramoto recebeu o disparo quando estava perto da sede do Governo. Além dele, outros sete civis e quatro soldados morreram nos confrontos, segundo fontes médicas e policiais.

Antes da meia-noite, o Exército e a Polícia receberam a ordem de deixar as áreas ocupadas da capital tailandesa pelos manifestantes e, pouco depois, o primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, anunciou que o Governo não vai poupar esforços para normalizar a situação sem recorrer ao emprego da força.

"Os soldados pararam a operação e embora os protestos continuem, não intervêm", disse o chefe do Executivo em discurso televisado.

Nos enfrentamentos, os manifestantes capturaram 20 soldados.

Os choques entre os "camisas vermelhas" e as forças de segurança se estenderam para outros lugares da Tailândia.

Em uma localidade no nordeste do país, uma das menos desenvolvidas, cerca de 600 "camisas vermelhas" atacaram a representação do Governo. O mesmo ocorreu na cidade de Chiang Mai, ao norte e a segunda maior do país.

No meio da tarde, ocorreu o primeiro confronto. Com gás lacrimogêneo e canhões de água os soldados tentaram conter um grupo de ativistas que estava no entorno do quartel do Exército.

Pouco depois, a operação para liberar as áreas tomadas pelos "camisas vermelhas" se estendeu pelo restante da cidade, o que levou a suspensão dos serviços de trem na cidade.

"As forças de segurança realizarão ações de surpresa para recuperar o controle das áreas públicas ocupadas pelos manifestantes", disse Panithan Wattanayakorn, porta-voz do Executivo.

Wattanayakorn assinalou que os "camisas vermelhas" estavam utilizando caminhões e outros veículos para bloquear uma movimentada intersecção e impedir, assim, que as tropas chegassem ao bairro comercial, no qual os manifestantes estabeleceram seu centro de operações.

Ao norte da cidade, ocorreram confrontos também no prédio que emite o sinal das televisões, que voltou a cortar o sinal de canal que apoia aos manifestantes.

Um dos líderes dos protestos tinha desafiado o primeiro-ministro Vejjajiva a que tentasse despejar-los pela força.

"Eu gostaria de dizer que pode vir e acabar com a nossa manifestação a qualquer momento", afirmou Nattawut Saikuar, um dos líderes opositores da Frente Unida contra a Ditadura e para a Democracia, a plataforma dirigida a partir do exílio pelo deposto ex-governante Thaksin Shinawatra.

Saikuar reiterou que seguirão adiante com sua mobilização até que o Executivo ceda as suas exigências de dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas, ao que Vejjajiva se nega.

Desde quarta-feira, Bangcoc está oficialmente em estado de exceção, o que permite ao Exército fazer o controle da segurança, proibir assembléias, passeatas, declarar toque de recolher e censurar os meios de comunicação.

A medida de emergência já foi aplicada para suspender um canal de televisão e bloquear várias páginas da internet por "incitar à violência".

No entanto, a imprensa local da cada vez mais importância a possibilidade que Vejjajiva tenha perdido parte do apoio do Exército, e alguns soldados já são chamados de "melancias", por fora usam uniforme verde, mas interiormente simpatizam com os "camisas vermelhas".

A Tailândia segue imersa em uma profunda crise política pela enorme divisão entre partidários e detratores de Shinawatra, derrubado por um golpe de Estado em 2006 e foragido da justiça, mas que resiste a abandonar o protagonismo político.

Os "camisas vermelhas", integrados em sua maioria pelas classes humildes das áreas rurais do nordeste do país, consideram que o Governo de Vejjajiva é ilegítimo, porque não nasceu das urnas, mas de pactos parlamentares com deputados.

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