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10/04/2010 - 20h17

Polônia chora por tragédia que deixa órfãs suas instituições

Nacho Temiño.

Varsóvia, 10 abr (EFE).- O povo polonês ficou imerso em lágrimas hoje pela morte de seu presidente, Lech Kaczynski, morto em uma catástrofe aérea que deixou órfãs várias instituições polonesas e obrigará a convocação de eleições presidenciais antecipadas em um prazo máximo de dois meses e meio.

A tragédia uniu mais uma vez os cidadãos poloneses, que deixaram de lado a rivalidade política entre conservadores e liberais para chorar juntos pela morte de Kaczynski e das demais personalidades políticas e civis que viajavam no avião acidentado nas proximidades do aeroporto de Smolensk (Rússia).

O próprio primeiro-ministro e até hoje grande rival político de Kaczynski, Donald Tusk, não conteve as lágrimas após saber da notícia, enquanto milhares de poloneses consternados compareceram em massa às portas do Palácio Presidencial para deixar flores e velas em homenagem às vítimas.

"Por quê? Por que, Senhor?", exclamava uma senhora com óculos escuros que levantava as mãos para o céu.

Junto a ela, alguns padres entoavam canções religiosas e oravam pelas almas das vítimas, enquanto inúmeras pessoas formavam fila para assinar o livro de condolências.

"Não é o momento de se perguntar por que, mas de esperar", insistia o bispo de Varsóvia, Kazimierz Nycz, em missa celebrada na catedral metropolitana que, como outras muitas cidades, realizava hoje atos religiosos em memória das vítimas.

"Sempre sofremos, nós poloneses sempre sofremos", dizia outro idoso, que comparava o acidente de Smolensk com o atentado às Torres Gêmeas de Nova York no 11 de Setembro de 2001.

Para muitos poloneses, trata-se da maior tragédia nacional vivida pela Polônia desde a Segunda Guerra Mundial e que, para maior tristeza, ocorreu justamente nas proximidades de Katyn, "um lugar maldito para a história polonesa", como disse hoje o ex-presidente Aleksander Kwasniewski.

Há exatos 70 anos, mais de 20 mil oficiais do Exército Polonês foram assassinados em Katyn por ordem do então ditador soviético Josef Stalin, em um dos episódios mais desoladores da história polonesa do século XX. "Ali morreu a elite militar polonesa, agora a da atual República", acrescentava Kwasniewski.

"Um drama como este nunca foi visto antes no mundo moderno", lamentou Tusk, que anunciou sua ida imediata ao local onde caiu o avião presidencial Tupolev-154.

"Morreram os chefes das instituições estatais mais importantes, parlamentares, sacerdotes, comandantes das Forças Armadas, o vice-presidente do Parlamento e líderes de partidos políticos", lamentava o primeiro-ministro antes de partir para a região do acidente.

Também o líder da oposição conservadora polonesa, Jaroslaw Kaczynski, irmão gêmeo do falecido presidente Lech Kaczynski e ex-primeiro-ministro do país, decidiu viajar para Smolensk, embora até o momento tenha se recusado a fazer declarações sobre o acidente.

Ao longo do dia, Varsóvia e o resto das cidades polonesas foram tomadas pelo vermelho e branco das centenas de milhares de bandeiras nacionais, expostas em casas, edifícios públicos e meios de transporte, antecipando os próximos sete dias de luto oficial no país.

Diversos jornais e sites da Polônia também se anteciparam aos dias de luto com páginas em preto e branco, algo que amanhã se tornará generalizado em todos os jornais, revistas e emissoras do país.

O presidente do Parlamento polonês, Bronislaw Komorowski, assumiu a Presidência interina do país, tal como prevê a Constituição, até a convocação de novas eleições presidenciais, data que deve ser confirmada nas próximas duas semanas. De qualquer maneira, as eleições deverão ocorrer em um prazo máximo de dois meses e meio.

"Não há esquerdas nem direitas, agora devemos permanecer unidos", pediu hoje Komorowski que deverá ser o candidato liberal para tais eleições à Presidência.

Embora ainda não se conheçam ainda as causas do acidente, muitos poloneses se questionam se o estado do avião presidencial, um Tupolev-154 com 20 anos de idade, foi uma das causas que provocou a catástrofe.

Segundo autoridades russas, o controle aéreo de Smolensk teria sugerido à tripulação que desviasse o avião para o aeroporto de Minsk, capital da Bielorrússia, mas ainda assim os pilotos teriam decidido pousar no destino original.

Junto a Kazcynski e sua esposa Maria, pelo menos outras 94 pessoas perderam a vida, todos os passageiros do avião. Entre eles, estavam importantes funcionários do alto escalão da Polônia, que agora deixam órfãs várias instituições do país.

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