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10/04/2010 - 14h54

Serra promete ao Brasil mais desenvolvimento "sem demagogia nem bravatas"

Brasília, 10 abr (EFE).- O economista José Serra, proclamado hoje candidato presidencial da oposição, afirmou que se vencer as eleições de outubro governará "sem demagogia, propaganda nem bravatas" e com o desenvolvimento como principal objetivo.

Em discurso sóbrio e denso, Serra agradeceu o apoio de seu partido, o PSDB, de cuja fundação participou de 1988, e das siglas que compõem a sua aliança, o PPS e Democratas (DEM), que representam a maior parte da oposição ao Governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Sem citar nomes, Serra aludiu em várias ocasiões ao "populismo" que a oposição atribui a Lula, inclusive quando disse que no Brasil "devem acabar a impunidade e a corrupção", dois males que o atual Governo "ampara" e "favorece".

"Honestidade, verdade, personalidade, coerência e perseverança são essenciais no exercício da política e o poder e esses são nossos valores", declarou.

Serra reconheceu alguns avanços registrados no país desde 2003, quando Lula assumiu o poder, mas assegurou que todas as conquistas são resultado de "um processo" que começou em 1985, quando Brasil recuperou a democracia "sequestrada" durante 21 anos por um regime militar.

Lembrou sua origem humilde e os 14 anos que passou no exílio, oito deles no Chile, por suas lutas contra a ditadura militar como presidente da União Nacional de Estudantes.

"Sou sobrevivente do golpe de Estado no Brasil (1964), do golpe no Chile (1973)", experiências nas quais afirmou ter aprendido que "os direitos humanos não podem ser negociados".

Nesse marco, traçou outras diferenças com Lula, ao aludir ao apoio da atual Administração a Governos como os de Cuba e o Irã, que são acusados de violar as liberdades individuais.

"Não cultivemos ilusões. Em uma democracia as pessoas não são presas ou condenadas à forca por pensar diferente de um Governo nem há operários que morrem em greves de fome por não estar de acordo com o regime", declarou.

No plano econômico, reconheceu também a estabilidade que houve durante o Governo Lula, mas a atribuiu o fato as políticas de disciplina fiscal implantadas no mandato de seu correligionário Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), que se mantiveram "inalteradas".

Reiterou várias vezes que o "Brasil pode mais" e o alcançará se os políticos e cidadãos trabalharem "unidos" e não sob as divisões "entre pobres e ricos" ou tachando os adversários de "inimigos da Pátria", outra frase que Lula usou contra seus opositores.

Também reafirmou sua convicção que tratados de livre-comércio são ferramentas ideais para melhorar a situação das empresas brasileiras e assegurou que "nos últimos anos, enquanto no mundo eram assinados mais de cem convênios (desse tipo), o Brasil só assinou um: o do Mercosul com Israel, que ainda não está em vigor", apontou.

Serra afirmou que não compartilha a tese do "Estado mínimo" e por isso defende uma maior participação do Governo nacional em áreas que no Brasil têm suas competências em boa parte reservadas às autoridades regionais ou municipais, como a luta contra as drogas e a delinquência em geral, a saúde e a educação.

"O Governo federal deve assumir maior responsabilidade diante da gravidade da situação em muitos assuntos, e não escudar-se em que a Constituição atribui certas áreas aos Governos regionais ou municipais", sustentou.

No ato realizado em Brasília, no qual participaram 2,5 mil pessoas, Serra teve apoio de importantes líderes do PSDB, como o ex-presidente FHC e o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, assim como dirigentes do PPS e do DEM.

Antes de iniciar seu discurso, Serra pediu um minuto de silêncio em memória dos mortos pelas chuvas nesta semana no Rio de Janeiro que já alcançaram 218 mortos, segundo os últimos dados oficiais.

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