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11/04/2010 - 13h59

Atraso na abertura de colégios marca 1º dia de eleições no Sudão

Jorge Fuentelsaz.

Cartum, 11 abr (EFE).- O atraso na abertura de muitos colégios eleitorais devido à falta de cédulas para votar marcou hoje o início dos três dias de eleições gerais no Sudão, das quais sairá um novo Parlamento e um novo presidente.

Às 8h local (2h de Brasília) foram abertos oficialmente os colégios, mas muitos deles demoraram a ter tudo pronto para que pudessem começar a votação.

"A abertura atrasou, mas, de resto, as pessoas estavam perfeitamente organizadas", afirmou a chefe da missão de observadores eleitorais da União Europeia (UE), Véronique de Keyser, durante visita a um colégio eleitoral às 12h30 local (6h30 de Brasília).

Por sua vez, o ex-presidente americano Jimmy Carter comprovou sua chegada ao colégio Al Itihadi, em Cartum, que uma hora e meia depois da abertura a votação não tinha começado porque faltavam cédulas para as eleições parlamentares.

"Aqui há um problema porque não têm as cédulas para o Parlamento, mas estão a caminho procedentes da Comissão Eleitoral e estarão em dez minutos", disse Carter, líder de uma organização que participa da observação do pleito sudanês.

No entanto, o ex-presidente dos Estados Unidos quis diminuir a importância dessa questão: "a Comissão Eleitoral fez um bom trabalho. Talvez tenha havido alguma lentidão no envio do material, mas ainda restam três dias para corrigir este problema".

Além dessas contingências, os eleitores enfrentam outros problemas, como é o da grande quantidade de cédulas para votar.

Os eleitores no norte do país devem preencher oito cédulas. Já os eleitores do sul deverão marcar 12, pois também elegem o presidente e o Parlamento do sul. É um processo complicado, mas os eleitores consultados pela Agência Efe disseram ter conseguido sem muitas dificuldades.

"Não tive nenhum problema para votar", assegurou Abdallah Mohamed no colégio eleitoral de Al Rasas, em Umm Durman.

Mas junto a Abdallah estava Mohamed Mortada, que levou quase dez minutos para tirar a tinta do dedo usada para marcar o voto na cédula.

Ele também explicou que também levou tempo para localizar os votos desejados. "O problema é encontrar o símbolo do partido nas oito cédulas. Isso estende um pouco a votação", disse Mortada.

Quem também empapou seu dedo em tinta após votar foi o atual presidente do Sudão e favorito para vencer o pleito presidencial, Omar al-Bashir, que esteve no colégio Saint Francis ao meio-dia para votar, sorridente e vestido com uma túnica e um turbante brancos.

Após sair da urna em meio a flashes das câmeras, al-Bashir foi à rua e gritou "Allahu Akbar" ("Deus é grande"), como pôde comprovar a Agência Efe.

Outro dos candidatos que votou logo no primeiro dos três dias de eleições foi Hassan al-Turabi, líder do partido Congresso Nacional Popular e que se apresenta como candidato às eleições parlamentares.

Após deixar a urna, al-Turabi denunciou várias irregularidades, especialmente na região ocidental de Darfur, em guerra desde 2003.

"Houve irregularidades e uma grande agitação", disse al-Turabi, que destacou o atraso da abertura dos colégios e acusou às forças de segurança de assumir uma posição pelo Governo e de proibir a votação em alguns centros eleitorais de Darfur.

Além disso, al-Turabi, que votou no centro al-Yiress no leste de Cartum, assegurou que, segundo os observadores de seu partido, até a primeira hora da tarde apenas 9% dos 16 milhões de eleitores sudaneses haviam votado.

Por sua vez, o responsável da missão de observação da UE ressaltou que a situação fora de Cartum "em geral está bem, embora um pouco mais confusa no sul".

Os colégios eleitorais começaram a fechar às 18h local (12h de Brasília), mas abrirão novamente amanhã e depois para dar sequência aos três dias de votação.

As eleições sudanesas, as primeiras multipartidárias em 24 anos, foram prejudicadas pelo boicote total ou parcial dos principais partidos opositores, que não consideram justas e transparentes as condições para a realização de eleições.

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