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11/04/2010 - 12h02

Bangcoc vive mais 1 dia de sangrentos protestos

Bangcoc, 11 abr (EFE).- Os "camisas vermelhas" tailandeses reafirmaram hoje que não vão abandonar os protestos até que o Governo atenda suas reivindicações, depois da batalha campal que ontem à noite deixou 20 mortos e mais de 800 feridos em Bangcoc.

"Nunca falaremos com assassinos, temos a obrigação moral diante dos mortos de devolver a democracia a este país", afirmou Jatuporn Prompan, um dos líderes da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, organizador dos protestos.

Prompan indicou que o primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, tem as mãos "manchadas de sangue", e fechou a porta ao diálogo com o Executivo até a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições antecipadas.

Os manifestantes leais ao deposto ex-governante Thaksin Shinawatra também responsabilizaram pelas mortes às forças de segurança, que - segundo denunciaram - usaram projéteis de verdade para dispersar os manifestantes, e mostraram vários rifles e metralhadoras que conseguiram retirar de alguns soldados.

Já o porta-voz do Governo, Panitan Wattanayagorn, negou e disse que alguns soldados fizeram disparos para o alto para que os ativistas deixassem as áreas públicas ocupadas.

Por sua vez, o Exército tailandês manifestou que foram os "camisas vermelhas" que provocaram os militares, disparando contra eles com munição real e lançando granadas.

Uma das vítimas fatais foi o cinegrafista japonês da agência de notícias "Reuters", Hiroyuki Muramoto, que recebeu um tiro no estômago disparado, aparentemente, por um agente das forças de segurança.

Milhares de manifestantes seguem acampados no cruzamento de Phan Fa, perto de onde ocorreram os combates na rua, que deixaram um rastro de poças de sangue e cartuchos deflagrados espalhados.

Com o recuo do Exército, os "camisas vermelhas" destruíram veículos militares e apreenderam o armamento e gritaram palavras de ordem em sinal de vitória.

Nesta tarde, Phan Fa estava ainda cheia de ativistas, que afirmam não ter medo dos soldados e proclamam que não deixarão o local apesar de que nesta semana começa o longo feriado de Songkran ou Ano Novo budista, que costuma deixar Bangcoc deserta.

Um "camisa vermelha" declarou à Agência Efe que não espera a renúncia de Vejjajiva, fazendo um claro gesto com a bochecha como que não tem vergonha.

Os enfrentamentos mais violentos ocorreram no entorno da movimentada rua de Khao San, famosa entre os mochileiros e um local onde os turistas puderam ouvir com clareza os ruídos de balas e explosões.

Precisamente, o setor turístico está sendo um dos mais prejudicados pelos protestos, o que levou a dezenas de embaixadas recomendarem aos cidadãos de seus países a não viajar por esses dias à Tailândia.

Perto de Khao San fica o Monumento à Democracia, onde os manifestantes prepararam os caixões para celebrar mais tarde um funeral pelos seus mortos e amanhã devem percorrer com os féretros as ruas da cidade para prestar uma última homenagem.

Desde quarta-feira passada, Bangcoc está em estado de exceção, que permite aos militares assumir o controle da segurança, proibir assembléias, passeatas, declarar toque de recolher e censurar meios de comunicação.

A medida de emergência já foi aplicada para suspender um canal de televisão e bloquear várias páginas da internet com a justificativa de "incitação à violência" na mais grave vivida pelo país desde 1992.

Tailândia segue imersa em uma profunda fratura política pelo enorme divisão entre partidárias e detratores desde o golpe de estado que derrubou em 2006 Shinawatra, foragido da justiça e que a partir do exílio continua interferindo no país.

Os "camisas vermelhas" simpatizam com as classes humildes das áreas rurais do nordeste do país, inimigos da elite de Bangcoc que estão com Partido Democrata de Vejjajiva.

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