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11/04/2010 - 18h52

Hungria faz esperada guinada política com arrasadora vitória da direita

Jordi Kuhs.

Budapeste, 11 abr (EFE).- A Hungria fez a esperada guinada política à direita nas eleições parlamentares realizadas hoje com a arrasadora vitória do partido conservador Fidesz, que, após a apuração quase completa das urnas, obteve 52,7% dos votos, e com o destaque do ultradireitista Jobbik como terceira força no Parlamento.

Dessa forma, o ex-primeiro-ministro e líder do Fidesz, Viktor Orbán, consegue voltar ao poder oito anos após ser desbancado pelo Partido Socialista Húngaro, cuja gestão levou o país a uma profunda crise econômica e social, agravada pela recente crise mundial.

O descontentamento popular levou os socialistas a perderem mais da metade de seus votos nesse primeiro turno do pleito de hoje, ficando relegado a um distante segundo lugar com apenas 19,3% dos votos.

Muito perto dos socialistas ficou o Jobbik, conhecido por seu discurso ultraconservador e xenófobo, com 16,7% dos votos, quase oito vezes mais que nas legislativas de 2006.

A novidade do Parlamento é o partido ecologista LMP, fundado há apenas 14 meses, que superou o nível mínimo de 5% das cadeiras do Legislativo obtendo 7,4% dos votos.

Após horas de atraso para divulgar os resultados oficiais da votação, o Comitê Eleitoral Nacional da Hungria anunciou há pouco os resultados oficiais após 99,18% das urnas apuradas.

Segundo o Comitê, dos cerca de 8 milhões de eleitores húngaros, a participação no pleito chegava a cerca de 60% às 12h30 (hora de Brasília), 90 minutos antes do fechamento dos colégios eleitorais. O dado representa dois pontos percentuais a menos que nas eleições legislativas de 2006.

O complexo sistema eleitoral da Hungria prevê um segundo turno em duas semanas para aquelas circunscrições nas quais não houve um vencedor com mais de 50% dos votos.

Nesse futuro segundo turno será decidido se o Fidesz, liderado pelo ex-primeiro-ministro Viktor Orbán (1998-2002), consegue dominar a maioria de dois terços no Parlamento unicameral de 386 cadeiras.

Com esses poderes, insólitos na história democrática do país, os conservadores poderiam emendar a Constituição, adotar reformas como a redução do elevado número de cadeiras no Parlamento ou mudar o atual sistema eleitoral.

A vitória do Fidesz já era prevista por todas as pesquisas, já que os socialistas perderam grande parte de seu apoio social devido a vários escândalos políticos e à má situação econômica do país.

Paralelamente, o partido ultradireitista Jobbik, liderado pelo jovem Gábor Vona, de 31 anos, se aproveitaram da crise para aumentar sua popularidade com um discurso populista e abertamente racista e xenófobo.

A Hungria é um dos países da União Europeia (UE) mais afetados pela atual crise econômica mundial.

Em outubro de 2008, o Governo socialista se viu obrigado a pedir um crédito de 20 bilhões de euros à UE, ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Mundial para evitar um colapso da economia nacional.

Ao votar hoje em Budapeste, Orbán ressaltou que a Hungria "perdeu nos últimos anos a confiança em si mesma e não acreditava que poderia ser melhor do que é". Para ele, "os resultados demonstram que o povo húngaro quer mudanças dramáticas e profundas".

Em duas semanas haverá o segundo turno nas circunscrições nos quais nenhum dos partidos conseguiu maioria absoluta dos votos. No entanto, perante a clareza dos resultados, não se esperam grandes mudanças.

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