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11/04/2010 - 16h12

Investigações russas descartam falhas em avião de Kaczynski e culpam pilotos

Moscou, 11 abr (EFE).- As autoridades russas descartaram hoje que falhas técnicas tenham provocado a tragédia aérea na qual morreram ontem o presidente da Polônia, Lech Kaczynski, e vários funcionários do alto escalão do país, e atribuíram o acidente a um erro dos pilotos.

"O piloto foi advertido sobre as condições meteorológicas adversas, mas decidiu efetuar a aterrissagem", afirmou o chefe do Comitê de Investigação da Procuradoria russa, Aleksandr Bastrikin, que ressaltou que toda a investigação se realiza em estreita cooperação com peritos e promotores poloneses.

A Procuradoria informou ao primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, que um estudo prévio das conversas entre a tripulação do avião acidentado e a torre de controle demonstrava que o avião, um Tupolev-154 de fabricação russa, não tinha sofrido nenhuma falha técnica.

"Deciframos e estudamos de forma preliminar a gravação. Examinaremos detalhadamente mais tarde em Moscou, que confirma que não houve problemas técnicos na aeronave", declarou Bastrikin em Smolensk (Rússia), cidade de destino do avião acidentado.

O investigador acrescentou que o mesmo indicam o material procedente da torre de controle que os promotores obtiveram no sábado no aeroporto militar Severn de Smolensk, onde o avião de Kaczynski caiu quando tentava aterrissar em condições de denso nevoeiro e muito pouca visibilidade.

A empresa aeronáutica russa Aviakor informou, por sua vez, que o avião do presidente polonês tinha passado por uma revisão em suas oficinas entre maio e dezembro do ano passado, e que depois não recebeu nenhum pedido por parte de Varsóvia.

Seu diretor, Alexei Gusev, disse que o avião tinha acumulado 5.004 horas de voo e 1.823 aterrissagens, quantidades irrelevantes para um Tupolev-154 - construído para um prazo de vida útil muito longo -, mas pouco frequentes para a aeronave de um chefe de Estado.

Funcionários russos já haviam dito ontem que os pilotos do avião tinham desobedecido primeiro a sugestão da torre de controle de desviar o voo para outro aeroporto e depois a ordem direta de suspender a perigosa aterrissagem.

A Procuradoria anunciou inicialmente que estudava três hipóteses do acidente, relacionadas "às condições meteorológicas desfavoráveis, ao chamado 'fator humano' e a possíveis falhas técnicas do avião".

As imprensas polonesa e russa não descartam que os pilotos, que fizeram quatro tentativas de aterrissagem, cumpriram uma ordem direta de Kaczynski, aguardado por milhares de pessoas na floresta de Katyn para lembrar os cerca de 22 mil de poloneses executados por ordem do então ditador soviético Josef Stalin há exatos 70 anos.

Em relação à segunda caixa-preta, que continha dados sobre os parâmetros de voo e as manobras do avião, fontes do Ministério de Transporte russo deixaram no ar a possibilidade de estudá-la ao assinalar que a fita "saiu das bobinas, seguramente devido ao impacto".

No aeroporto de Smolensk, Putin se despediu hoje com honras militares do corpo de Kaczynski, cujo caixão, coberto com a bandeira polonesa, foi colocado sobre um pedestal rodeado de oficiais da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

Os restos mortais do líder polonês, identificados por seu irmão gêmeo, Jaroslaw Kaczynski, foram levados a Varsóvia por um avião militar fretado pelo Governo polonês, enquanto os da esposa do presidente, Maria, serão enviados posteriormente a seu país.

Os corpos das outras 94 vítimas do acidente, entre as quais os comandantes-em-chefe das Forças Armadas, foram transferidos para identificação em Moscou.

Os médicos-legistas já identificaram os 24 corpos que estavam em melhor estado ou continham documentos, enquanto os demais requerem exames genéticos para comparar seu DNA com o dos familiares das vítimas, que já começam a chegar a Moscou.

Vasyl Piskariov, subchefe do Comitê de Investigação, disse que "há muitos fragmentos de corpos, por isso terá de comparar o DNA com o de familiares". Mas segundo ele, "os trabalhos continuam" e "todas as vítimas serão identificadas".

O processo de identificação é realizado no escritório legista central de Moscou, onde trabalham 45 especialistas mais uma equipe de 37 juízes de instrução.

A Prefeitura de Moscou reservou 450 quartos de hotel e inúmeros ônibus para os parentes das vítimas vindos da Polônia e convocou tradutores, médicos e psicólogos para atender os que necessitam de assistência, e assumiu todas as despesas.

A Polônia enviou à Rússia fiscais, especialistas técnicos e legistas, além de uma delegação formada por dois ministros poloneses que fará um serviço de atendimento aos familiares das vítimas.

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