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12/04/2010 - 12h55

Após boicote, oposição pede suspensão das eleições no Sudão

(atualiza com prolongamento das eleições).

Jorge Fuentelsaz.

Cartum, 12 abr (EFE).- Uma aliança formada pelos partidos opositores que decidiram não participar das eleições gerais no Sudão pediram hoje a suspensão da votação e a realização de um pleito "democrático".

"Se a Comissão Eleitoral e quem estiver por trás dela quisessem a estabilidade do país e eleições democráticas reais, aplicariam neste momento nossas exigências, criariam uma comissão independente e realizariam eleições democráticas", disse Farouk Abu Issa, porta-voz da plataforma opositora, chamada Forças do Consenso Nacional.

O anúncio foi feito no segundo dia das eleições, as primeiras multipartidárias em 24 anos e que foram boicotadas parcial ou totalmente pelos principais grupos da oposição.

Hoje, fontes da Comissão Eleitoral confirmaram à Agência Efe que as eleições sudanesas, que terminariam nesta terça-feira, se estenderão por mais dois dias por razões técnicas e para assegurar uma máxima participação.

Em entrevista coletiva, a aliança Forças do Consenso Nacional, que aglutina o partido Al-Umma, o Partido Comunista e outras legendas menores, condenou as irregularidades ocorridas ontem, quando houve atraso de uma hora na abertura das urnas pela falta de material.

"Os erros técnicos reconhecidos pela Comissão Eleitoral foram realizados intencionalmente para o desenvolvimento de um processo eleitoral que permita que o (partido governante) Congresso Nacional continue governando na nova etapa", disse Farouk Abu Issa.

Além disso, o porta-voz do grupo condenou as declarações realizadas ontem pelo ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, que justificou perante a imprensa o atraso de quase duas horas na abertura de uma zona eleitoral.

Abu Issa acusou Carter, que lidera uma ONG que participa da observação eleitoral, de assumir uma posição em prol do partido político no poder.

"Jimmy Carter deu declarações em favor do (partido do) Congresso Nacional. Os EUA estão decididos a realizar as eleições como ocorreu com as eleições no Iraque (de 2005), quando os iraquianos estavam sob ocupação", disse Issa.

Nessa mesma linha, Mariam al-Sadik al-Mahdi, vice-secretária-geral do partido Al-Umma, um dos principais da oposição, reiterou que "as declarações de Carter são totalmente inaceitáveis".

Após a entrevista coletiva, um membro da plataforma, que se identificou como Assad Ali Hassan, mostrou como era fácil limpar a tinta usada no voto. Segundo ele, a remoção da marcação na folha pode ser feita com um produto comprado em qualquer farmácia
"Uma vez limpo, já é possível voltar a votar", concluiu Ali Hassan, que fez a exibição diante de jornalistas e chamando pessoas da platéia para ajudá-lo.

Nas eleições serão escolhidos o presidente do país, os governadores das 25 províncias e os chefes dos órgãos legislativos estatais e provinciais.

Ontem, primeiro dia das eleições, muitos colégios abriram as portas com atraso e foi notada a falta de materiais, como pôde comprovar a Agência Efe e como denunciaram representantes da oposição e alguns observadores.

Já nesta segunda a votação se desenvolvia com total calma e tranquilidade, e até o trânsito parecia fluir melhor nas ruas de Cartum.

O pleito se estende a cada dia por dez horas, mas é muito complexo porque é preciso preencher oito cédulas (no sul são 12). Como fatores que complicam o processo estão o alto grau de analfabetismo e o pouco costume de votar entre os sudaneses.

Na zona eleitoral de Al-Itihadi, a observadora do Partido Conferência Popular Hadiya Ada Mohammed denunciou à Efe várias irregularidades que tinha observado entre ontem e hoje.

Entre elas citou o fato de que um militar foi autorizado a votar sem se identificar e que ainda hoje não tinha chegado o livro onde são apontadas as queixas sobre o desenvolvimento das eleições.

Também assinalou que os funcionários das mesas eleitorais não usam identificação e que chegou a testemunhar algumas vezes eles tentando convencer os eleitores a votar nos governistas.

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