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12/04/2010 - 09h20

Protestos ganham tom violento e agravam crise na Tailândia

Gaspar Ruiz-Canela.

Bangcoc, 12 abr (EFE).- Os manifestantes que buscam a queda do Governo da Tailândia, conhecidos como camisas vermelhas, desfilaram hoje por Bangcoc com os caixões dos companheiros mortos nos confrontos do fim de semana com as forças de segurança.

Os corpos de duas das vítimas, à vista de todos em um caminhão, abriam a caravana que se estendia por quilômetros.

Representando os outros mortos, desfilavam 16 carros com caixões vazios, adornados com guirlandas, bandeiras vermelhas e símbolos tailandeses.

A passagem de uma verdadeira 'maré vermelha' atraiu as pessoas pela rua, que se juntaram aos milhares de membros da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, a plataforma que reúne os seguidores do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra.

"Nunca negociaremos com assassinos. É nossa obrigação honrar os que morreram pela democracia neste país", destacou Jatuporn Prompan, um dos dirigentes da Frente Unida, que quer a convocação imediata de eleições.

No sábado passado, 21 pessoas morreram e mais de 850 ficaram feridas quando manifestantes e forças de segurança entraram em confronto perto de um dos principais pontos turísticos da capital.

No embate, morreram quatro militares, 16 camisas vermelhas e um cinegrafista japonês de uma agência de notícias internacional que cobria os protestos, iniciados em 14 de março.

Para agravar a crise, a Comissão Eleitoral recomendou hoje ao Tribunal Constitucional a dissolução do Partido Democrata, o principal da coalizão que governa o país, por um caso de financiamento ilegal.

A comissão decidiu, por cinco votos a favor e quatro contra, levar o caso à Promotoria e pedir no Tribunal Constitucional a suspensão do partido, chefiado pelo primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva.

Com as ruas de Bangcoc ocupadas pela manifestação, o primeiro-ministro se dirigiu à nação pelos canais de televisão estatais. No discurso, culpou um terceiro grupo, que não identificou, como o responsável por ter iniciado o tiroteio no confronto.

"Os terroristas utilizaram os manifestantes para criar os graves distúrbios. Uma vez que os identificarmos, nos encarregaremos de que assumam a responsabilidade pelo que fizeram", disse Vejjajiva, que anunciou a criação de uma comissão para investigar o ocorrido.

Milhares de manifestantes continuam acampados em um cruzamento próximo ao antigo Palácio Real e no distrito comercial de Bangcoc, onde a maioria das lojas de luxo e restaurantes está fechada já pela segunda semana.

O partido Puea Thai, o principal de oposição, pediu hoje a realização de eleições dentro de três ou seis meses, em vez dos nove que o Governo propôs - sem sucesso - aos camisas vermelhas.

O chefe do Exército, o general Anupong Paochinda, também se mostrou propício, pela primeira vez, a recorrer às urnas caso não apareçam soluções à crise política.

"A dissolução do Parlamento reduzirá a tensão durante um tempo, mas não resolverá os enfrentamentos políticos e o problema fundamental do consenso para governar", comentou Charnvit Kasertisiri, ex-reitor da Universidade de Thammasat.

Embora sem citar expressamente nomes, vários acadêmicos concordaram em um debate na televisão que o presidente do Conselho de Estado, Prem Tinunlasonda, é a única pessoa com autoridade para negociar uma saída com Shinawatra.

Poucos esperam a mediação do rei Bhumibol Adulyadej, de 82 anos, como em situações críticas anteriores vívidas na Tailândia.

A maioria das embaixadas recomenda que não se viaje para a Tailândia. A China chegou a cancelar 40 voos fretados para turistas que celebrariam o ano novo tailandês.

A Bolsa de Valores de Bangcoc fechou hoje com recuou acentuado de 3,64%, com os investidores preocupados com o caráter violento que a mobilização antigovernamental tomou e com a iminência das festas de novo ano, que começam amanhã.

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