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12/04/2010 - 15h03

Tragédia aérea aproxima Polônia e Rússia

Nacho Temiño.

Varsóvia, 12 abr (EFE).- A catástrofe aérea de Smolensk fez com que Polônia e Rússia deixassem de lado as tradicionais diferenças e acenassem com uma reconciliação semanas atrás impensável, graças em boa parte à atitude de Moscou, solidária como nunca ao povo polonês.

"Se o acidente de Smolensk deixou algo positivo é a atitude da Rússia, sua cooperação nos momentos difíceis e a solidariedade de Vladimir Putin", disse à Agência Efe Maciej Knapik, analista do canal "TVN24".

A solidariedade se resume em uma imagem repetida várias vezes na Polônia, a de Putin e do premiê polonês, Donald Tusk, abraçados no local do acidente.

O rosto abalado de Putin, sua presença no aeroporto durante os trabalhos de busca de corpos e na despedida do caixão de Lech Kaczynski, ou a mensagem televisionada que o presidente russo, Dmitri Medvedev, dirigiu à Polônia ficaram gravadas na mente dos poloneses, habituados a ver na nação vizinha quase um inimigo.

"É um paradoxo, mas a tragédia de Smolensk é a oportunidade de unir nossas nações como nunca antes", dizia hoje o "Gazeta Wyborcza", um dos diários poloneses mais importantes.

Em Varsóvia é apreciado o fato de Moscou ter se inclinado a ajudar a Polônia num momento difícil, organizando a chegada dos parentes das vítimas, alojamentos, atendimento psicológico e reconhecimento de corpos.

"Vi Putin como um ser humano, me tocou muito a imagem de seu apoio a Tusk quando se ajoelhava, isso me convenceu", afirmou à imprensa o ex-embaixador polonês na Rússia, Stanislaw Ciosek.

Para Ciosek, "faziam falta gestos e simbolismos" que ajudassem a aquecer relações enturvadas durante muito tempo.

Não faltam, porém, os que lembram que a delegação que viajava no avião presidencial se dirigia aos atos em memória dos assassinados na floresta de Katyn, na Rússia, onde em 1940 mais de 20 mil oficiais poloneses morreram nas mãos de serviços secretos stalinistas.

Para muitos poloneses, Katyn é um local "maldito", uma terra de dor para o país que simboliza as difíceis relações ao longo dos últimos séculos entre Varsóvia e Moscou, que nem mesmo os gestos de solidariedade após o acidente aéreo ajudam a superar.

Os ex-presidentes poloneses Aleksander Kwasniewski e Lech Walesa se referiraam a Katyn como "aquele lugar maldito", relacionando imediatamente os eventos de 1940 com o acidente do avião presidencial.

"Ali morreu a elite militar e cultural polonesa (em referência aos mais de 20 mil assassinados), agora morreu a da atual República", disse Kwasniewski após saber da notícia.

Outras vozes, como a do professor e historiador Tomasz Nalecz, pedem que não se misture os dois eventos e chamam à serenidade na hora de analisar a história polonesa.

"Embora sobre o acidente de Smolensk e o massacre de Katyn paire o mesmo, não se podem combinar essas duas tragédias", ressalta o professor, que não hesita em criticar os ex-presidentes Walesa e Kwasniewski pelas declarações feitas.

"As coisas mudaram e após os últimos eventos os russos se comportaram exemplarmente, basta lembrar o luto nacional na Rússia, o apoio às famílias das vítimas e a investigação em profundidade liderada pelo mesmíssimo Vladimir Putin", conclui.

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