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19/04/2010 - 06h06

"Sonho americano" pode terminar em frustração e dívidas para guatemaltecos

Oscar René Oliva.

Guatemala, 19 abr (EFE).- O "sonho americano" dos milhares de guatemaltecos que diariamente buscam esse objetivo pode terminar em frustração e dívidas maiores que as deixadas em seu país, já que muitas vezes eles acabam sendo deportados pelas autoridades migratórias do México e dos Estados Unidos.

"Vimos casos muito dolorosos (de imigrantes) que fizeram empréstimos que não podem pagar e que foram deportados e muitos foram enganados e perderam seus bens", disse à Agência Efe Erick Maldonado, secretário do Conselho Nacional de Atendimento ao Migrante da Guatemala (Conamigua).

Os guatemaltecos que são deportados dos EUA, disse o funcionário, voltam "frustrados e decepcionados", porque "em vez de cometer crimes na Guatemala, fizeram empréstimos e agora estão com mais dívidas".

As redes criminosas dedicadas ao tráfico de pessoas, acrescentou Maldonado, cobram de cada imigrante "entre US$ 4 mil e US$ 6 mil, dependendo dos graus de segurança", e, pelo mesmo preço, oferecem a eles "até uma terceira oportunidade para entrar nos EUA".

"É um negócio rentável, mas é difícil detectar os membros das redes, porque muitas vezes estão camuflados entre os próprios imigrantes e os coiotes (traficantes de imigrantes ilegais) se tornam pessoas que fazem empréstimos", afirmou.

Maldonado mostrou preocupação, já que "cada vez mais as pessoas que migram são muito jovens, sobretudo mulheres", que se tornam potenciais vítimas do crime organizado.

"As crianças e mulheres são altamente vulneráveis à exploração sexual", disse o secretário da Conamigua, criada em 2007 para garantir os direitos humanos dos imigrantes.

"As crianças vão trabalhar nas ruas e a Guatemala não é alheia a esta exploração", disse.

Um recente estudo das autoridades mexicanas revelou que 80% das pessoas provenientes da América Central que passavam por esse território eram exploradas, segundo Maldonado.

Outro aspecto negativo deste fenômeno é a desintegração familiar e a perda cultural, afirmou.

O funcionário acrescentou que "nós, como Estado, não podemos dizer às pessoas que não migrem, porque é um direito que está ligado ao desenvolvimento", mas lamentou que os imigrantes não invistam os recursos que ganham e os utilizem para comprar bens caros para suas famílias.

"Quando vamos ao interior do país, vemos nas paisagens pequenas casas, mas que contam com televisores com TV por assinatura. Eles perdem a dimensão do esforço que fizeram para ir aos EUA e enviar dólares", disse.

"Infelizmente, agora as famílias já esperam o envio das remessas e isso cria certa dependência, porque vão chegar US$ 100 ou US$ 200 para elas", mas "não destinam o dinheiro para a educação das crianças, que quando atingem idade para trabalhar, param de estudar, porque suas expectativas são seguir os passos do pai ou da mãe", explicou Maldonado.

Apesar dos riscos e das constantes deportações, os guatemaltecos não deixam de perseguir o "sonho americano", apontou o secretário. Somente em 2009, mais de 27 mil imigrantes ilegais foram deportados.

No entanto, o fenômeno migratório tem seus pontos positivos. Um deles é o aumento médio de renda nas zonas rurais, onde a qualidade de vida melhorou, segundo um estudo de 2009 feito pela Mesa Nacional para as Migrações na Guatemala (Menamig).

O envio das remessas dos EUA, que no ano passado alcançaram os US$ 3,912 bilhões, beneficia 30,4% da população da Guatemala.

No entanto, entre os impactos negativos estão a perda da produtividade, a fuga de capital humano, a queda da atividade econômica local e a desintegração familiar, adverte o estudo.

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