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19/04/2010 - 16h50

UE flexibiliza restrições a voos após críticas de companhias aéreas

Redação Central, 19 abr (EFE).- Os países-membros da União Europeia (UE) concordaram hoje em flexibilizar as restrições do espaço aéreo afetado pela nuvem de cinzas do vulcão islandês Eyjafjalla, após as críticas das companhias aéreas quanto às perdas econômicas, consideradas superiores às do 11 de Setembro de 2001.

Essa mudança de postura ocorre no quinto dia de caos aéreo na Europa - com mais de 80 mil voos cancelados e cerca de 7 milhões de passageiros afetados -, que coincidiu com uma substancial redução da emissão de cinzas do vulcão subterrâneo da geleira Eyjafjallajökull, ao sul da Islândia.

Segundo o Instituto Meteorológico islandês, a coluna de cinza procedente do vulcão, que no sábado passado chegou a uma altura de 11 quilômetros, chegou hoje a um nível menor de três quilômetros, tendência, se mantida, pode acabar com os problemas do tráfego aéreo.

A flexibilização das restrições, estipuladas em colaboração com a agência europeia Eurocontrol em uma videoconferência, estabelece a divisão do espaço aéreo em três zonas.

Segundo José Blanco, ministro de Fomento da Espanha - país que exerce a Presidência rotativa da UE neste semestre -, a primeira dessas zonas é aquela que se encontra no núcleo central das emissões de cinzas e onde se mantém a restrição absoluta aos voos.

Na segunda zona, onde há restos de cinzas, os voos serão feitos de maneira coordenada pelas autoridades dos Estados-membros. Já na terceira zona, não afetada pelas emissões, não haverá restrição de nenhum tipo aos voos.

Alguns países, como o Reino Unido, se anteciparam a essa previsão e já preparam a reabertura paulatina de seus espaços aéreos para amanhã.

A Eurocontrol espera que amanhã decolem entre 40% e 45% dos voos previstos no espaço aéreo europeu, após o nível de 30% de hoje, conforme afirmou um responsável da agência europeia. Já a previsão para quarta-feira é de que haja outro aumento similar entre 10% e 15%.

A flexibilização das restrições ocorre depois de a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) criticar hoje duramente os Governos europeus por sua gestão dessa crise e pedir mudanças no processo de tomada de decisões.

"Já fomos suficientemente longe nesta crise para expressar nossa insatisfação sobre como ela foi gerida pelos Governos, sem análise de risco, sem consulta, sem coordenação e sem liderança", assinalou o diretor-geral da Iata, Giovanni Bisignani.

Em comunicado, ele ressaltou que as restrições ao tráfego aéreo impostas desde quinta-feira passada custam à indústria aérea US$ 200 milhões por dia.

Antes da decisão dos países da UE, a Comissão Europeia (órgão executivo do bloco) negou que o fechamento do espaço aéreo na Europa tenha sido uma decisão "irracional".

"Todas as decisões tomadas até agora se basearam nas diretrizes de segurança da Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO)", ressaltou em entrevista coletiva o comissário de Transportes da UE, Siim Kallas. Para ele, trata-se de um "acontecimento sem precedentes".

Por essa razão, o comissário de Assuntos Econômicos da UE, Joaquín Almunia, assegurou que a Comissão Europeia está preparada para aprovar medidas similares às adotadas após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 para permitir que os Estados-membros do bloco concedam assistência financeira às companhias aéreas afetadas.

"Estamos preparados para aprovar uma determinação similar à do 11 de Setembro, que permitiria conceder contribuições estatais para cobrir o custo direto das consequências do evento e os custos extras de seguros das companhias aéreas", disse Almunia.

Além das perdas econômicas das companhias aéreas, o caos causado nos céus europeus pelo vulcão islandês pode, segundo alguns analistas, afetar a recuperação econômica por seu impacto financeiro em alguns setores, como o turístico.

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