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19/04/2010 - 17h34

UE prevê normalização progressiva de voos a partir de amanhã

Bruxelas, 19 abr (EFE).- A Agência Europeia para a Segurança da Navegação Aérea (Eurocontrol) prevê a normalização progressiva do tráfego aéreo na Europa entre amanhã e quinta-feira, após o acordo dos países-membros da União Europeia (UE) que estabelece três zonas de risco conforme a concentração de cinzas do vulcão islandês Eyjafjallajokull.

Com a medida, acordada hoje com a Comissão Europeia (órgão executivo da UE) e os ministros de Transporte da UE, espera-se que a partir das 3h (de Brasília) voem entre 10% e 15% mais aviões na Europa, após decolar hoje um terço do total previsto e que na próxima quarta-feira ocorra um aumento similar.

"O vulcão já não está em erupção. Por isso, se tudo correr normalmente e as condições meteorológicas não piorarem na próxima quinta-feira, poderemos voltar totalmente à normalidade", indicou em declarações à imprensa o diretor de redes de tráfego aéreo da Eurocontrol, Bo Redeborn.

A proposta da Eurocontrol foi apoiada pelos países da União Europeia por meio de uma videoconferência e estabelece três zonas distintas de poluição provocada pelas cinzas.

A agência europeia divulgará amanhã às 3h (de Brasília) a zona na qual permanecerá em vigor a proibição de voar até que seja reduzido o nível de concentração de cinzas vulcânicas de acordo com as imagens de satélite, que são atualizadas a cada seis horas.

No entanto, a entidade não pôde garantir quais países incluirá esta zona, mas antecipou que ela equivalerá a um terço da área afetada onde está proibido voar nesses momentos e que muito provavelmente serão Irlanda, Reino Unido, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e parte da Alemanha.

Além dessa zona totalmente interditada, será fixado um segundo espaço onde a presença dessas partículas é sensivelmente menor, onde os países poderão autorizar o reatamento dos serviços aéreos.

Por enquanto, a decisão continuará dependendo das autoridades nacionais, mas o nível de coordenação entre países da UE será reforçado com essa nova determinação.

"Um país poderá decidir se retoma os serviços aéreos nessa segunda zona, mas terá de consultar os demais Estados-membros para garantir a coordenação das medidas em nível europeu", esclareceu Redeborn.

A terceira zona incluirá os países onde não se tenha detectado riscos de poluição e, portanto, não existam motivos para fechar o espaço aéreo.

A limitação das restrições ocorre depois da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) criticar hoje duramente os Governos europeus por sua gestão dessa crise e pedir mudanças no processo de tomada de decisões.

Questionado sobre o atraso na tomada de decisões, Rederborn explicou que só se pôde comprovar o grau de periculosidade das cinzas em certas zonas ontem quando 32 voos de reconhecimento decolaram e retornaram ao solo sem danos.

A UE não descarta adotar futuramente um modelo similar ao americano no qual as companhias aéreas sejam mais envolvidas neste tipo de decisões, uma proposta que foi defendida por alguns países na reunião informal de ministros de Transporte do bloco realizada hoje por videoconferência.

A Presidência da UE, exercida neste semestre pela Espanha, anunciou hoje que fará outra reunião informal de ministros de Transportes nas próximas semanas quando a situação for normalizada para analisar o impacto do fechamento do espaço aéreo para a economia europeia, que hoje completa seu quinto dia.

A Comissão Europeia (órgão executivo da UE), por sua vez, anunciou que estudará as consequências econômicas para determinar como pode apoiar o setor para enfrentar as perdas respeitando-se as normas comunitárias.

Embora tenha evitado dar números concretos, Bruxelas antecipou que as perdas registradas até agora pelo fechamento do espaço aéreo já superam as provocadas após os atentados terroristas do 11 de Setembro de 2001.

Paralelamente, os deputados do Parlamento Europeu, reunidos em sessão plenária em Estrasburgo (França), decidiram hoje realizar amanhã um debate extraordinário com a Comissão Europeia e a Presidência do bloco para analisar as consequências das restrições no tráfego aéreo.

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