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24/04/2010 - 23h28

Lugo promulga estado de exceção em 5 departamentos do Paraguai

Assunção

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, promulgou esta noite o estado de exceção por 30 dias declarado hoje pelo Congresso em cinco departamentos do país para perseguir um grupo armado que mantém em vigilância o norte do país. 

Os departamentos em exceção

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O ministro do Interior, Rafael Filizzola, afirmou em entrevista coletiva que a medida "não altera a normalidade democrática do país" e que vai "se continuar trabalhando sob ordens judiciais como estabelece a Constituição nacional".

"É preciso distinguir do estado de exceção em democracia e do que foi o estado de sítio durante uma ditadura", enfatizou o ministro em alusão ao regime de Alfredo Stroessner, que governou o país com mão de ferro entre 1954 e 1989.

Filizzola, que participou de uma reunião de ministros com Lugo para planejar as primeiras ações dos militares, disse que nesta segunda-feira serão concretizados outros detalhes como a designação do chefe de um comando conjunto.

Apesar de a medida reger em cinco departamentos do centro e do norte do país, Concepción, Amambay, Alto Paraguay, San Pedro e Presidente Hayes, a perseguição se centrará no primeiro, em cujas regiões de floresta o autodenominado Exército do Povo Paraguaio (EPP), de esquerda, se tornou forte nos últimos anos.

O titular do Congresso, o senador opositor Miguel Carrizosa, disse que o chefe de governo recebeu "as ferramentas para neutralizar o EPP, que tanto dano está causando no norte do país, onde há temor, o povo não sabe quem vai ser a próxima vítima".

 A tensão na região aumentou na quinta-feira (22) depois que um confronto entre fazendeiros e supostos combatentes do EPP deixou quatro pessoas mortas, incluindo dois brasileiros.

EPP
O EPP, suspeito de ter ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), é acusado de ao menos quatro sequestros desde 2001, incluindo a captura de um importante fazendeiro que foi solto no começo deste ano.

A última vez que uma medida similar foi adotada no Paraguai foi em 2002, por ocorrência de protestos violentos contra o governo do ex-presidente Luis González Macchi.

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