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24/04/2010 - 10h03

Palestino da Cisjordânia sai da prisão e é deportado para Gaza por Israel

Saud Abu Ramadan.

Gaza, 24 abr (EFE).- Após nove anos trancado em uma cela, as esperanças de Ahmad Sabah de retornar para sua família foram por terra, depois de se transformar no primeiro palestino da Cisjordânia deportado para a Faixa de Gaza devido à nova legislação israelense.

Na quarta-feira passada, Sabah conquistou sua liberdade, mas foi levado diretamente para a faixa palestina, apesar de antes de ser preso morar com a família no povoado de Thenaba, perto de Tulkaren (norte da Cisjordânia).

Esta deportação é a primeira aplicação da nova ordem militar israelense que entrou em vigor na semana passada e que permite a expulsão da Cisjordânia de "infiltrados", qualquer pessoa que tenha entrado ilegalmente no território ou que não tenha "permissão de residência válida" emitida por Israel.

Sabah chegou a Gaza em 1994, um ano depois da assinatura dos acordos de paz de Oslo, para trabalhar para a recém-criada Autoridade Nacional Palestina (ANP), que no início se estabeleceu em Gaza e Jericó e dois anos mais tarde estendeu seu controle para outras oito cidades palestinas.

Conforme conta, em 1996, mudou-se para a localidade de Tulkaren, onde continuou trabalhando para a ANP e residiu até ser detido em 2001, durante a segunda Intifada, acusado de "apresentar resistência ao Exército israelense".

"Vivia com minha mulher e meus filhos no povoado de Thenaba e todo este tempo sonhei em voltar para lá quando fosse libertado", explica Sabah, que conta que ficou sem palavras quando as autoridades da prisão comunicaram que seria deportado porque havia perdido sua carteira de identidade (documento que comprova a residência).

"Os israelenses falaram para eu escolher, entre ficar na prisão por um período indeterminado ou ir para Gaza" assegura o ex-recluso.

Após quase uma década de espera, a família de Sabah foi na quarta-feira a um posto de controle militar para recebê-lo na saída da prisão, mas voltou para casa sem ele ao saber da sua expulsão.

Por enquanto, está morando em uma tenda de campanha que ergueu no norte de Gaza, perto da cidade de Beit Hanoun e da fronteira com Israel, onde assegura que ficará até que permitam o seu retorno para o lado da mulher e dos filhos.

"Utilizarei todos os meios legais para retornar para minha família", diz Sabah, decidido a lutar.

Segundo ele, há muitos prisioneiros palestinos nas prisões israelenses que estão na mesma situação e correm o risco de serem deportados de Gaza, sem sequer ver suas famílias.

A faixa está submetida a um ferrenho bloqueio israelense aos cidadãos, e eles não podem sair de lá exceto em casos excepcionais, como o dos trabalhadores de organizações internacionais ou emergências médicas.

Sabah opina que os palestinos que vivem sob a ocupação israelense na Cisjordânia "enfrentam a deportação a qualquer momento", e pede à ANP de Mahmoud Abbas e ao movimento islamita Hamas, liderado por Ismail Haniyeh e governa de fato Gaza, que "unam forças para lutar contra a lei militar israelense de expulsão".

A nova lei foi duramente criticada por organizações de defesa dos direitos humanos, por entender que abre a porta para deportações maciças e impõe duras penas de prisão (de até sete anos) aos moradores da Cisjordânia sem a permissão israelense.

Desde 1967, argumentam as ONGs, milhares de palestinos se mudaram de Gaza para a Cisjordânia sem que em nenhum momento ninguém tenha exigido qualquer tipo de permissão especial.

As autoridades palestinas denunciaram que nas últimas semanas o Exército israelense levantou dezenas de postos de controle na Cisjordânia para detectar os que consideram residentes ilegais.

O chefe do Governo do Hamas em Gaza afirmou nesta semana que "Faixa de Gaza e Cisjordânia são uma unidade geográfica palestina" e chamou os cidadãos a "rebelar-se e enfrentar à ordem israelense".

O Centro Palestino para os Direitos Humanos denunciou na semana passada que a expulsão de palestinos da Cisjordânia representa uma violação ao artigo 49 da Quarta Convenção de Genebra, que proíbe a transferência forçada da população de território ocupado.

"As novas ordens fazem parte da política de ocupação, apartheid, colonização e deslocamento forçado da população palestina que Israel realizou nos últimos anos", denuncia esta ONG.

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