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24/04/2010 - 10h48

Partido xiita pede limpeza das forças de segurança do Iraque

Bagdá, 24 abr (EFE).- O principal partido xiita do Iraque pediu hoje uma limpeza nas forças de segurança para evitar atentados como os de ontem, que causaram mais de 60 mortos, e exigiu ao Governo que assuma a responsabilidade de proteger aos cidadãos.

"Reiteramos nosso chamado para limpar os serviços de segurança de todos os elementos corruptos e cúmplices com os inimigos do Iraque", afirmou o Conselho Supremo Islâmico do Iraque (CSII) em comunicado divulgado hoje.

Ao todo, 54 pessoas morreram e outras 180 ficaram feridas nos inúmeros atentados com carros-bomba e outros artefatos que explodiram ontem em bairros xiitas e em locais próximos às mesquitas, nos ataques que as autoridades atribuem à Al Qaeda.

Perto do centro de Ramadi, na província de Al-Anbar, outras 9 pessoas morreram e 12 restaram feridas na explosão de bombas na casa de um juiz e na de um policial.

Com este número de vítimas, o dia de ontem foi o mais sangrento no Iraque neste ano.

Estes atentados "expõem claramente que grupos hostis ao nosso povo estão inseridos na nossa de segurança", diz o comunicado assinado por Ammar al-Hakim, líder do CSII.

"O Governo iraquiano deve tomar rapidamente as medidas necessárias para assumir as responsabilidades e proteger a vida dos cidadãos e manter a segurança de todos", disse.

Ainda não se sabe como os terroristas conseguiram burlar os inúmeros controles da Polícia e do Exército existentes em Bagdá, que contam com equipes especializadas em detectar explosivos, cuja eficácia, no entanto, foi coloca em dúvida pelos especialistas de segurança estrangeiros.

O CSII é a principal força política da Aliança Nacional Iraquiana (ANI), uma coalizão eleitoral que ficou em terceiro lugar nas eleições parlamentares de 7 de março e que pode ser chave na formação do novo Governo iraquiano.

Antigo aliado do primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, o grupo liderado por Hakim, o Estado de Direito, ficou em segundo lugar e confia no fechamento de acordos com a ANI para compor o Governo.

O pleito, cujos resultados estão pendentes de revisão na Comissão Eleitoral, foi vencido pela coalizão Al Iraqiya. O partido, entretanto, não conquistou as cadeiras suficientes para governar sozinho, por isso está agora obrigado a fazer alianças com outros grupos.

Com relação a isso, Hakim fez hoje um chamado "para que o país rompa a estagnação política existente e acelere a formação do Governo para colocar um fim à insegurança" no país.

Em comunicado divulgado ontem à noite, Maliki disse que os atentados de ontem buscavam apagar "o grande êxito" que representa a morte dos dois terroristas mais procurados no Iraque, durante uma operação militar lançada no domingo passado.

Os mortos foram Abu Ayyub Al-Masri, líder militar da Al Qaeda no Iraque, e Abu Omar al-Baghdadi, que liderava a coalizão Estado Islâmico do Iraque, dominada pela Al Qaeda e formada por vários grupos terroristas.

A maior parte das vítimas dos atentados de ontem ocorreram no bairro da Cidade de Sadr, bastião do clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr, cujo grupo político é integrado à ANI e que mantém fortes diferenças com Maliki.

Segundo a televisão iraquiana, após os atentados Sadr ordenou ontem à noite a sua milícia, conhecida como o "Exército Mehdi" e integrada por milhares de homens armados, que se unam às forças de segurança para proteger as mesquitas xiitas.

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