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25/04/2010 - 17h56

Assembleia acaba com acordo no Banco Mundial à sombra da Grécia

César Muñoz Acebes.

Washington, 25 abr (EFE).- A Assembleia do Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial acabou hoje com um pacto para dar mais poder aos países emergentes no Banco e aumentar seu capital sob a sombra da crise da Grécia, principal preocupação dos ministros.

A ascensão dos países em desenvolvimento na cena mundial, acelerada durante a crise econômica, deu hoje um novo passo com a decisão no Banco Mundial que seu presidente, Robert Zoellick, considerou "histórica".

O Comitê de Desenvolvimento conjunto da entidade e o FMI, no qual estão representados os 186 países-membros, concordou em aumentar em 3,13 pontos percentuais o poder de voto das nações emergentes no BM.

Ganham nações grandes como Índia, Brasil, México e especialmente a China, que se transforma na terceira acionista do órgão, após os Estados Unidos e o Japão.

Abrem terreno nações ricas como a Alemanha, França, Japão e Reino Unido, embora não os Estados Unidos, cuja cota de poder ainda é inferior ao peso de sua economia no mundo.

Com a mudança, os países emergentes ficam com 47,19% do voto no Banco Mundial e para a nova revisão, em 2015, aspiram conseguir 50%.

"Espero que se alcance a paridade com o tempo", disse Zoellick na entrevista.

O Comitê de Desenvolvimento também concordou com uma ampliação do capital do BM de US$ 5,1 bilhões, a primeira em mais de 20 anos, que permitirá aumentar seus programas de desenvolvimento.

Desse número, US$ 1,6 bilhão virão de contribuições extras dos países que recebem mais peso, enquanto o resto virá de todos os membros, segundo sua cota na instituição.

A decisão de hoje põe fim a um processo de negociações iniciado em setembro, quando o G20 solicitou que os países ricos transferissem ao menos 3% do voto às nações em desenvolvimento no Banco Mundial.

Enquanto isso os membros do FMI negociam uma cessão similar de pelo menos 5 pontos percentuais, com a meta de chegar a um acordo o mais tardar em janeiro de 2011.

"O que ocorreu no Banco nos ajuda muito, porque abre caminho", disse seu diretor-gerente, Dominique Strauss-Kahn.

A Assembleia aconteceu em um clima econômico muito mais positivo que o que dominou a anterior, realizada em outubro em Istambul.

Já ninguém dúvida que a recuperação ganha força, nem sequer os pessimistas do Fundo, mas a crise fiscal grega caiu como um balde de água fria.

N sexta-feira Atenas solicitou o programa de ajuda prometido pela Europa e o FMI, após um novo golpe dos mercados a seus bônus pela revisão em alta de seu déficit de 2009.

Com isso foi acionado o cronômetro para que as partes alcancem um acordo rápido que acalme os investidores e em Washington isso significou um desmoronamento de reuniões sobre o tema.

O ministro das Finanças grego, Yorgos Papaconstantinou, se encontrou com as titulares de economia dos Estados Unidos, Brasil, Rússia e China, além dos representantes europeus.

O resultado foram promessas de que se atuará com rapidez e que a Grécia terá dinheiro para fazer frente aos pagamentos de sua dívida, o primeiro dos quais no dia 19 de maio, mas não houve informação do tamanho total da ajuda durante três anos ou do que Atenas terá que fazer para recebê-la.

Os Governos da zona do euro se comprometeram a estender os créditos a 30 bilhões de euros no primeiro ano de vigência do programa, ao que se acrescentariam possíveis 15 bilhões de euros do FMI.

À parte da Grécia, outro tema principal da Assembleia foi a proposta do Fundo de aplicar dois impostos ao setor financeiro para pagar por futuros resgates e desencentivar a tomada de risco.

Nesse âmbito o que ficou claro é que não há consenso, pois os países que não sofreram uma crise financeira rejeitam impor novos encargos a seus bancos.

Pelo menos o acordo sobre a reforma do Banco Mundial permitirá aos ministros voltar de Washington com um gosto bom na boca.

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