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25/04/2010 - 15h01

Cardeal chileno admite que suspendeu investigação de padre acusado de abusos

Santiago do Chile, 25 abr (EFE).- O cardeal arcebispo de Santiago do Chile, Francisco Javier Errázuriz, admitiu hoje ter suspenso há cinco anos uma investigação contra um sacerdote acusado de abusos sexuais, caso que veio à tona a poucos dias e suscitou polêmica no interior da Igreja chilena.

Errázuriz fez a revelação em carta divulgada hoje em todas as paróquias da arquidiocese para dar a conhecer o parecer das autoridades eclesiásticas perante os casos de pedofilia e acerca das acusações contra o padre Fernando Karadima.

Com 80 anos e grande prestígio na Igreja como formador de religiosos, Karadima e outros cinco bispos, foram acusados por pelo menos quatro antigos fiéis de terem cometido abusos há um par de décadas, enquanto era pároco do agrado Corazón de El Bosque, um poderoso setor da capital chilena.

O caso de Karadima, em cuja defesa vieram numerosos fiéis, seu sucessor na paróquia e até um bispo auxiliar de Santiago, veio à público um dia depois que o presidente da Conferência Episcopal, Alejandro Goic, pediu perdão pelos abusos de sacerdotes contra meninos e revelou que no Chile os casos somavam duas dezenas.

Em sua carta, Errázuriz assinalou que as primeiras denúncias contra Karadima, feiras por três pessoas, "chegaram paulatinamente, a partir de maio de 2005" e acrescentou que elas foram entregues, "como pedem as normas da Conferência Episcopal, ao promotor de justiça de então".

"Após uma primeira investigação, e de canalizar as coisas de maneira adequada, deixei em suspenso a causa, esperando novos antecedentes, aprofundando os já obtidos e fazendo novas consultas a peritos em matéria jurídica canônica", acrescentou.

"Casos desta natureza são tão excepcionais que consideramos necessário consultar os peritos da Santa Sé neste campo, processo que foi feito com rigor e responsabilidade", explicou.

O caso de Karadima também chegou aos tribunais da Justiça comum após a apresentação de algumas denúncias, embora alguns delitos possam estar prescritos, devido ao tempo transcorrido.

O jornal "La Tercera" ressaltou em sua edição dominical que por trás da polêmica interna da Igreja chilena em torno do caso haveria uma rixa pela sucessão do arcebispado de Santiago, cujo atual titular completou 75 anos em setembro de 2008 e foi autorizado pelo Vaticano a se manter no cargo.

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