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25/04/2010 - 11h24

Governo adverte "camisas vermelhas" que retomará centro de Bangcoc

Miguel F. Rovira.

Bangcoc, 25 abr (EFE).- O primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, advertiu hoje aos manifestantes contrários ao Governo que as autoridades se preparam para retomar o controle da área ocupada de Bangcoc.

No acampamento fortificado dos "camisas vermelhas", os líderes reagiram ao aviso do Governo com uma chamada nacional aos correligionários, e pediram a todos que lutem para conseguir que o primeiro-ministro dissolva o Parlamento e convoque eleições.

"Daqui não vamos sair sem vencer essa batalha", disse Kwanchai Praipana, um dos chefes, em discurso dirigido aos milhares de "camisas vermelhas" que estão perfilados atrás de pilhas feitas com pneus e varas de bambu.

Os chefes da denominada Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, a plataforma dirigida e financiada pelo multimilionário e ex-líder deposto Thaksin Shinawatra, pediu aos seguidores que bloqueiem nas províncias os comboios de tropas que estão a caminho da capital.

No nordeste do país, praça forte da Frente Unida, cerca de 1 mil de "camisas vermelhas" bloquearam a principal rodovia que liga essa região a Bangcoc para impedir a passagem de um comboio militar com soldados.

Durante o discurso retransmitido pelos canais estatais de televisão, o ministro assegurou que o Governo está se preparando para recuperar o controle do coração comercial e turístico de Bangcoc, embora não detalhou quando isso deve acontecer.

"O processo para solucionar o impasse está em andamento. O Governo e os militares se preparam para retomar o controle", disse o chefe do Executivo tailandês sem fornecer mais detalhes.

Vejjajiva disse em discurso, que a ocupação do centro comercial da capital tailandesa pelos "camisas vermelhas" é parte de um complexo problema político que afeta ao país.

"Nosso objetivo é recuperar a normalidade, por isso que o Governo examina todos os possíveis movimentos dos "camisas vermelhas" antes de atuar para resolver o problema de uma vez por todas", acrescentou.

O chefe do Exército, o general Anupong Paochinda, assegurou que no seio das Forças Armadas não há atritos motivados por inclinações políticas, embora tenha confirmado que alguns "soldados da ativa e aposentados participaram dos protestos e usaram armas para atacar" às forças governamentais.

Em seu comparecimento junto ao primeiro-ministro, o general Paochinda, responsável da segurança em Bangcoc, assinalou que o Exército e a Polícia estão concentrados agora na identificação dos opositores para fazer a detenção daqueles "camisas vermelhas" que escondem armas de fogo.

"Há alguns problemas individuais, mas não são significativos. A instituição militar permanece sólida", apontou o chefe do Exército.

O discurso do primeiro-ministro e do chefe do Exército transmitido pela televisão, gravado no dia anterior, foi interrompido poucos minutos depois do início, aparentemente por causa do bloqueio do sinal, disse o ministro de Telecomunicações, Sathit Wongnongtoey.

A oferta dos chamados "camisas vermelhas", que montaram no coração da cosmopolita Bangcoc um acampamento que sintoniza com o meio rural do qual procedem, consistia em colocar um fim à invasão em troca de que o Executivo dissolva o Legislativo em 30 dias, e já não imediatamente como antes exigiam.

Vejjajiva considerou como "inaceitável" a proposta dos "camisas vermelhas", que acusa de empregar a "violência e intimidação" durante os protestos, que já causaram 26 mortes e mais de 1 mil de feridos em menos de um mês.

Pelo menos 45 granadas e artefatos explosivos foram lançados na capital tailandesa e em províncias vizinhas desde que em 14 de março os "camisas vermelhas" retomaram os protestos com a mobilização de 100 mil pessoas.

A primeira negociação entre os opositores e o Governo para chegar a um acordo fracassou pelo fato de os líderes da mobilização terem recusado a oferta do primeiro-ministro de convocar eleições antecipadas só no fim do ano.

A Tailândia está imersa em uma profunda crise política fruto da luta entre os detratores e seguidores de Shinawatra, deposto no levante de 2006 depois de governar durante quase seis anos.

Exilado e foragido da justiça tailandesa, o multimilionário Shinawatra, sobre o qual pesa uma pena de dois anos de prisão por corrupção e abuso de poder, dirige e financia os protestos.

Os "camisas vermelhas" provêm em sua maioria das zonas rurais do norte e noroeste do país, as de maior densidade demográfica e redutos dos testas-de-ferro de Shinawatra.

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