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25/04/2010 - 18h43

Oposição conservadora recebe sinal verde e vence eleições na Hungria

Marcelo Nagy.

Budapeste, 25 abr (EFE).- Após um primeiro turno que praticamente confirmou qual seria o resultado deste domingo, o partido conservador de oposição Fidesz teve uma vitória arrasadora no segundo turno das eleições legislativas na Hungria.

Com dois terços das cadeiras parlamentares, o partido direitista de oposição ganhou o sinal verde para governar sem a necessidade de negociar com outras forças políticas ficando com mais de dois terços das cadeiras do Parlamento.

O líder do Fidesz, Viktor Orbán, qualificou a vitória que colocou a direita de volta no governo como "histórica", "uma verdadeira revolução".

"Os húngaros criaram hoje uma ampla união nacional", ressaltou o futuro chefe de Governo perante as câmaras de televisão após conhecer o resultado da votação de hoje, o segundo turno das legislativas que já em sua primeira rodada, no dia 11, deixaram claro o triunfo da oposição.

Assim, o voto deste domingo, unicamente em 57 das 176 circunscrições eleitorais onde há duas semanas não se pôde decidir o ganhador, determinou só a amplitude do apoio aos partidos que entraram no Parlamento.

Segundo a Comissão Eleitoral Nacional, com 97,5% dos votos apurados o Fidesz aumentou em 60% o número de seus deputados, obtendo 263 das 386 cadeiras do Parlamento húngaro.

Pela primeira vez entra na câmara o partido de extrema direita Jobbik, com 47 deputados, e os ecologistas do LMP, 16.

Após permanecer no poder durante os últimos oito anos, o grande perdedor foi o partido governista MSZP, que passa para oposição e reduz suas cadeiras para 59, dos 190 assentos que tinha antes.

Após confirmar a grave derrota, o presidente do MSZP, Ildikó Lendai, anunciou que renunciará com toda a direção do partido.

Os socialistas foram castigados pelos severos ajustes que se viram obrigados a fazer para receber um apoio internacional de 20 bilhões de euros em 2008 a fim de salvar o país da quebra.

Em sua campanha eleitoral, Orbán prometeu reduzir os impostos, aumentar a competitividade do país, e não continuar com a política econômica do independente Gordon Bajnai, mas os observadores estimam que o novo gabinete terá pouco espaço para introduzir mudanças profundas.

A respeito ao empréstimo de 20 bilhões de euros que a Hungria recebeu do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial e da União Europeia, Obrán considera necessário renegociar certos aspectos, já que não será possível manter o déficit fiscal limitados aos 3,8 %, previsto para este ano.

Alguns analistas opinam ser possível acordar com o FMI um déficit de até 5 % para 2010, o que permitiria ao novo gabinete aliviar os ajustes.

De todas as formas, com a maioria de dois terços no Parlamento, o Fidesz poderá adotar facilmente as reformas que propõe, como a redução do número de representantes da assembleia unicameral, a reforma do sistema administrativo, a lei sobre os meios de comunicação pública e a da possível cidadania dos húngaros que vivem como minoria nos países limítrofes.

A crise e o descontentamento popular não só fortaleceram o Fidesz, mas também os ultradireitistas do Jobbik ("O melhor"), liderados pelo jovem Gábor Vona, de 31 anos, que souberam aproveitar o descontentamento da população para aumentar sua popularidade com um discurso populista, racista e anti-semita.

Estas eleições, as sextas desde a queda da Cortina de Ferro, já mudaram o mapa político do país, já que no primeiro turno ficaram fora do Parlamento os dois motores da transição do comunismo à democracia: os liberais da Aliança de Democratas Livres e os conservadores do Fórum Democrático.

O presidente da República, László Sólyom, responsável de encarregar a formação do novo Executivo, prometeu hoje acelerar o processo para que o país conte o mais rápido possível com um novo Parlamento e Governo interino.

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