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25/04/2010 - 20h42

Só abstenção atrapalhou triunfo arrasador de Fischer nas eleições da Áustria

Ramón Santaularia.

Viena, 25 abr (EFE).- Só a abstenção atrapalhou o triunfo arrasador do social-democrata Heinz Fischer reeleito hoje com quase 79% dos votos no pleito presidencial austríaco.

Para Fischer, estas eleições, para um mandato de seis anos, foram um passeio, mas a participação de apenas 49% da população foi a mais baixa registrada na república alpina desde a Segunda Guerra Mundial. Na última eleição, em 2004, esse número foi de 71,6%.

Este homem de 72 anos, membro do Partido Social-Democrata Austríaco (SPÖ) desde sua juventude e conhecido por seu pouco carisma, mas também por sua moderação e sua constante busca do consenso, é o político mais estimado na escala de popularidade nacional.

Após a confirmação, Fischer se mostrou "muito satisfeito" e "muito agradecido". "Não poderia ter sonhado. É um resultado fantástico", disse Fischer perante as câmaras de televisão, após afirmar que em seu segundo mandato os austríacos podem confiar que desempenhará o cargo com a mesma tranquilidade e ponderação que em seus primeiros seis anos.

Também agradeceu o apoio recebido por eleitores de outros partidos, incluindo o Partido Popular Austríaco (ÖVP), que preferiu não apresentar candidato próprio para o pleito.

Ele assegurou que a alta abstenção diminui sua alegria pelo apoio em massa que recebeu do eleitorado. "Sobre isso haverá, sem dúvida, discussões, mas eu estou simplesmente feliz com esses 78%", disse.

Contribuiu à abstenção a certeza generalizada de que Fischer sairia vencedor com uma grande margem, o pouco atrativo de seus dois rivais e a renúncia do ÖVP, membro minoritário na coalizão de social-democratas e populares na Áustria.

O desinteresse geral no posto da Presidência, os candidatos sem atrativo e o desanimo com os políticos neste país de 8,5 milhões de habitantes também tiveram um papel determinante para que muitos eleitores preferissem tomar o sol ao invés de ir às urnas, segundo uma enquete da televisão pública "ORF".

Do pós-guerra na Áustria até agora, um presidente que se apresentou à reeleição para um segundo mandato jamais perdeu.

A campanha eleitoral se caracterizou por palavras de ordem mais filosóficas e bastante afastadas dos problemas cotidianos que afligem os cidadãos deste próspero país alpino membro da União Europeia desde 1995, o que desanimou os eleitores.

Em segundo, mas muito afastado de Fischer, ficou Barbara Rosenkranz, do ultradireitista Partido Liberal Austríaco (FPÖ), que alcançou 16% dos votos e que nas últimas semanas ficou conhecido além das fronteiras austríacas mais por sua postura ambivalente rumo ao nacional-socialismo que por seu programa eleitoral sobre o futuro da Áustria.

Rosenkranz atribuiu os resultados ao que qualificou de "caça às bruxas" organizada pelos meios de comunicação contra ela em alusão às acusações de não ter se distanciado a tempo de suas simpatias ao nacional-socialismo e suas atrocidades, e assegurou sentir-se "não feliz, mas sim bastante satisfeita" com o desenlace eleitoral.

A cômoda vitória que Fischer obteve hoje contrasta com os acirrados resultados que alcançou nas eleições de 2004, com uma vitória de 52,39% frente da rival conservadora Benita Ferrero-Waldner, naquele tempo ministra austríaca de Assuntos Exteriores.

O segundo melhor resultado no pleito presidencial desde 1945 demonstra na realidade que os austríacos estão satisfeitos com o trabalho de Fischer à frente do Estado, um cargo com amplas funções cerimoniais, sendo uma de seus principais obrigações a nomeação do Governo.

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