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27/04/2010 - 15h34

Amorim pede flexibilidade a Irã e comunidade internacional sobre sanções

Javier Martín.

Teerã, 27 abr (EFE).- O ministro das Relações Exteriores Celso Amorim pediu hoje flexibilidade ao Irã e à comunidade internacional para retomar o diálogo, já que, em sua opinião, este seja talvez o desafio de segurança mais importante enfrentado pelo mundo atualmente.

Em um encontro com a imprensa em Teerã, Amorim disse que o acordo "ainda é possível" e destacou o papel tanto de seu país quanto o da Turquia como negociadores.

"Temos que tentar. Este é talvez o assunto de segurança mais importante ao qual o mundo enfrenta hoje em dia. Brasil e Turquia representam a comunidade internacional como conjunto, portanto acho que uma solução depende de nós", disse.

"Se a alcançarmos será bom para todo o mundo, se fracassarmos, pelo menos tentamos. Esperamos alcançá-la", acrescentou Amorim.

O chanceler chegou na segunda-feira a Teerã para uma visita de dois dias com o objetivo de preparar a viagem oficial que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará ao Irã nos dias 15 e 16 de maio.

Durante sua visita, Amorim foi recebido pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e se reuniu com outros representantes políticos.

No entanto, sua estadia foi marcada pela embate entre o regime iraniano e grande parte da comunidade internacional por causa das suspeitas levantadas sobre seu programa nuclear.

Sobre o assunto, Amorim ressaltou que a prioridade deve ser solucionar a questão da transferência de material nuclear para evitar, assim, medidas punitivas, que, em sua opinião, seriam inúteis e provavelmente afetariam a população.

"Devemos diferenciar o assunto menor, que é a troca de combustível, que pode ser solucionado de forma rápida, e evitar assim as sanções, pois acho que agravariam a situação e complicariam as negociações", afirmou.

O conflito se agravou no final do ano passado, depois que o Irã rejeitou uma proposta de EUA, Rússia e Reino Unido para enviar ao exterior seu urânio enriquecido a 3,5% e recuperá-lo depois a 20%.

Teerã alegou desconfiança dos outros países e exigiu que a troca seja simultânea, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Desde então, Washington tenta pactuar uma nova bateria de sanções, que foi recebida com reticência por países como China, Turquia e o próprio Brasil.

Amorim admitiu que a solução não é simples, embora algumas possam ser aplicadas de forma imediata se as duas partes cederem e o Irã aceitar oferecer garantias.

"Deve ser levado em conta que a troca de combustível não é uma questão fácil, porque ambos têm metas diferentes. Mas acho que nada é impossível. É preciso certa flexibilidade", reiterou o chanceler.

"Não podemos chegar a um ponto se não houver negociação, se uma das partes só ameaçar com sanções e a outra simplesmente dizer 'não quero'", explicou.

Amorim disse ter percebido certa flexibilidade tanto por parte dos americanos quanto dos iranianos.

"Os americanos não disseram nada que nos induza a abandonar nossos esforços, ao contrário, acham que é útil", disse Amorim.

"Sobre os iranianos, ontem e hoje tive longas discussões na qual fiz uma série de sugestões, não se as aceitarão ou não, mas vi interesse em dialogar. Acho que entenderam que queremos ajudar, que não nos interessa sancionar, mas encontrar uma solução pacífica", acrescentou.

O ministro sugeriu ainda a troca nuclear em um terceiro país, em particular na Turquia, que poderia ser a chave para resolver o problema.

"Acho que pode ser parte do acordo. A Turquia, por exemplo. Não posso falar em nome dos turcos, mas acho que a Turquia é uma bom interlocutor, membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), amigo do Irã. Se é suficiente para acabar com a desconfiança, não sabemos" ainda, ressaltou.

Amorim insistiu em que as sanções "não são boas para ninguém", mas admitiu que se forem concretizadas, afetariam alguns dos interesses comerciais compartilhados por Irã e Brasil.

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