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27/04/2010 - 17h13

Favorito ao poder na Colômbia, Mockus chega com força a debate

Fernando Muñoz.

Bogotá, 27 abr (EFE).- O candidato do Partido Verde à Presidência da Colômbia, Antanas Mockus, chega hoje como favorito ao segundo debate na televisão da campanha, entre grande expectativa por sua súbita ascensão nas pesquisas.

O debate entre os seis candidatos com mais possibilidades de vitória nas eleições de 30 de maio, organizado pela "CityTv" e pela rádio "AW", começará às 21h (23h, Brasília) e será transmitido ao vivo pela internet e por canais também da Europa.

Com 58 anos, Mockus já foi prefeito de Bogotá, é matemático e filósofo. Surpreendendo a todos, pela primeira vez desde que a campanha começou recebeu mais intenções de voto que o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, segundo uma sondagem do instituto Ipsos-Napoleón Franco divulgado na segunda-feira.

De acordo com a pesquisa, Mockus conta com 38% de apoio e Santos, até a segunda-feira o favorito, com apenas 29%.

Em seu primeiro dia como líder nas pesquisas, o candidato do Partido Verde disse, em várias ocasiões, que não negociará com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) enquanto tiverem reféns.

Ele disse ainda respeitar, mas não admirar o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que é acusado pelo Governo colombiano de interferir nas eleições com suas críticas constantes a Santos.

Para ele, "o produtivo" com a Venezuela é "estabelecer relações baseadas na prudência".

O analista político Alejo Vargas disse hoje à Agência Efe que o crescimento do apoio popular a Mockus obedece a uma onda midiática similar a que, há oito meses, permitiu a Álvaro Uribe se tornar presidente da Colômbia.

"É a mesma coisa que aconteceu com Uribe há oito anos, que do nada, de ser um personagem anônimo e obscuro de lá do departamento (estado) de Antioquia, foi crescendo e se tornou presidente no primeiro turno", disse.

O analista acrescentou que as pesquisas podem estar refletindo também um cansaço dos colombianos com o discurso de Uribe de que a "cobra está viva", em referência às Farc. As palavras do presidente costumam ser referendadas por Santos, candidato governista.

O debate da campanha eleitoral esteve marcado nos últimos dias pelo discurso de Santos contra o presidente Chávez, que o considera uma "verdadeira ameaça militar" e um "lobo disfarçado de chapeuzinho vermelho".

Chávez também lembra que uma corte do Equador mantém vigente a ordem de prisão preventiva para Santos por sua autoria "intelectual" do bombardeio do Exército colombiano a um acampamento da guerrilha das Farc em território equatoriano, em março de 2008.

Inclusive Mockus, no último debate na TV, em 19 de abril, criticou a operação militar por considerar que violou o direito internacional.

É tido como certo que no debate de hoje as conflituosas relações com os países vizinhos e a segurança voltarão a centrar as discussões.

Mockus foi favorecido nas pesquisas pela ascensão que teve entre os jovens nas redes sociais na internet, onde se tornou um dos mais procurados e conta com mais de sete milhões de pessoas entre seus 'amigos' no Facebook.

"O interessante e o que pode ser que termine impactando muito é que esses eleitores jovens possam influenciar suas famílias, seus pais, o que então termina tendo um efeito multiplicador", opinou Vargas.

O programa de Mockus se baseia na educação, na legalidade, na transparência e na boa governança, mas também na continuidade da luta contra as Farc, com quem diz que não vai negociar.

Atrás de Mockus e Santos, figuram, segundo as pesquisas, a ex-chanceler e candidata do Partido Conservador Noemí Sanín (11%); Gustavo Petro, do esquerdista Polo Democrático Alternativo (5%); além do liberal Germán Vargas Lleras, da Mudança Radical, e do candidato do Partido Liberal, Rafael Pardo, ambos com 3%.

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