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28/04/2010 - 19h07

Lula e Chávez acreditam que Unasul deve eleger Néstor Kirchner

Eduardo Davis.

Brasília, 28 abr (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder da Venezuela, Hugo Chávez, concordaram hoje que a União de Nações Sul-Americanas "seguramente" elegerá seu secretário-geral na próxima semana, em um claro respaldo ao ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner.

Embora nenhum dos dois governantes tenha citado o nome de Kirchner, em entrevista coletiva em Brasília ambos se disseram convencidos de que a Unasul está "consolidada", seguirá adiante em seu processo de "institucionalização" e dará "outro passo" na Cúpula que será realizada na próxima terça-feira na Argentina.

Chávez disse, e Lula concordou, que "seguramente" o secretário-geral será eleito na Argentina, ocupando um cargo vago desde a fundação da organização, em maio de 2008, e que não pôde ser preenchido por falta de consenso entre os países-membros.

Kirchner é o único a concorrer e se candidatou a mais de um ano e, embora sua proclamação não tenha o apoio do Uruguai, o país parece inclinado a mudar de posição, segundo fontes brasileiras.

Na entrevista coletiva com Lula, Chávez retomou o estagnado projeto para a construção de um "Gasoduto do Sul" e afirmou que a Rússia "está muito interessada" na ideia, já descartada pelo Brasil por sua inviabilidade ambiental e econômica.

Também propôs uma "ferrovia do sul", embora tenha admitido que "talvez " nem ele nem Lula cheguem a vê-la transformada na realidade.

O líder venezuelano se desfez em elogios a Lula e a seu papel no processo de integração sul-americano, e lamentou que no dia 1º de janeiro de 2011 ele deva entregar o cargo ao ganhador das eleições de outubro. "Lula irá embora pela porta grande", afirmou Chávez, em um tom de despedida antecipado.

Assim como lhe atribuiu a paternidade da Unasul, também assegurou que "se Lula não chegasse ao poder (em 2003) o Mercosul estaria hoje pulverizado", pois os Governos de então não se teriam oposto a Área de Livre-Comércio das Américas (Alca) promovida pelos Estados Unidos.

Lula, por sua vez, sustentou que "antes nem estava escrito que podiam ser escolhidos governantes preocupados com as maiorias" e que isso "mudou" com a eleição de Governos de forte apego popular em diversos países, entre os quais citou a Venezuela, o Brasil e a Bolívia.

"Nada foi mais gratificante que a eleição de Evo Morales, porque ninguém tem mais direito que um índio de governar Bolívia", disse.

Lula lembrou, além disso, que "a história da América Latina era feita aos tabefes e contragolpes" e que agora na maior parte da região impera a democracia, só interrompida nos últimos anos em Honduras.

De forma indireta, Lula reiterou suas críticas ao novo presidente hondurenho, Porfirio Lobo, ao afirmar que o Governo que assumiu em janeiro "anistiou os golpistas e não os derrubados", pelo ex-presidente Manuel Zelaya, que ainda está sendo processado por suposta corrupção e não retornou ao país.

Segundo o presidente, esses Governos "democráticos e populares" acabaram com "a submissão que havia em relação às grandes potências" e, além disso, conquistaram "mudanças substanciais na América Latina", que se refletem em "todos os indicadores sociais".

Lula disse que estes líderes populares entenderam que "não haverá desenvolvimento sem integração" e citou como exemplo o próprio Brasil, que potencializou o comércio com seus vizinhos e "hoje tem como principal parceiro comercial à América Latina".

Durante a reunião de Brasília, Venezuela e Brasil assinaram 20 acordos bilaterais nas áreas de alimentos, energia, habitação, finanças e transportes, entre outros.

Além disso, fixaram uma reunião própria para o dia 3 de agosto na Venezuela e Lula disse que "possivelmente" se despedirá de Chávez durante a visita que o presidente venezuelano fará em dezembro, antes da posse do governante eleito em outubro.

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