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28/04/2010 - 15h49

Portugal fala em ataque especulativo e defende sua credibilidade

Lisboa, 28 abr (EFE).- O primeiro-ministro José Sócrates saiu hoje em defesa da credibilidade de Portugal e ressaltou que o país cumpre seus compromissos, após a reação negativa dos mercados ao novo rebaixamento da qualificação de crédito do país.

O chefe de Governo português se reuniu hoje em caráter de urgência com Pedro Passos Coelho, presidente da principal legenda de oposição lusa, o Partido Social Democrata (PSD, centro-direita). No encontro, os dois mostraram união pelo que consideram um ataque especulativo contra Portugal.

Na saída da reunião, o primeiro-ministro disse que o Governo antecipará para 2010 a execução de algumas das medidas contra a crise do chamado Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), antes previstas para 2011 e 2012.

Depois que a agência internacional de qualificação de risco Standard & Poor's rebaixou o rating de Portugal de A+ para A-, os juros aplicados aos créditos e emissões de obrigações lusas voltaram a subir.

"O Governo e o principal partido da oposição decidiram trabalhar conjuntamente contra um ataque especulativo ao euro e à dívida soberana", declarou Sócrates.

Segundo ele, serão antecipadas as medidas "para que todos os agentes internacionais saibam que os objetivos orçamentários vão ser completados". O líder socialista se referia, assim, à prioridade de seu Governo de reduzir o déficit público de 9,4% para menos de 3% em quatro anos.

Entre as iniciativas a serem aplicadas de forma imediata estão cortes e maiores controles do seguro desemprego e outras ajudas sociais, a tributação dos ganhos em bolsa, a instalação de mais pedágios nas estradas e a aplicação de um imposto de 45% aos salários mais altos.

Sócrates apresentou o reforço das medidas de austeridade para diminuir o gasto público com o argumento de fazer os subsídios mais justos e de que ninguém "tire vantagem" do auxílio desemprego.

Já o presidente do Partido Social Democrata apoiou um marco de estabilidade para conseguir a redução do déficit e da dívida de Portugal e mostrou sua inteira "disponibilidade" ao Governo.

"Faremos o que estiver a nosso alcance e for necessário para que o país, de acordo com as medidas que o Governo considere mais prioritárias, possa cumprir seus objetivos internacionais", afirmou.

O líder da oposição portuguesa disse que Sócrates está disposto a considerar ações para reforçar o Programa de Estabilidade e Crescimento e ter "uma trajetória coerente", para que o déficit português fique abaixo de 3% em 2013.

Os dois maiores partidos portugueses, que se alternaram no poder ao longo de quatro décadas de democracia, se comprometeram a acompanhar de perto a situação financeira do país e dialogar sobre sua evolução.

Após as declarações dos dois principais líderes políticos lusos, a terceira força no Parlamento, o conservador Partido Popular (CDS-PP), exigiu mais medidas de austeridade.

O partido defendeu a suspensão imediata do projeto de trem de alta velocidade entre Portugal e Espanha - para ele altamente custoso - e pediu uma maior fiscalização do subsídio de inserção social, além de acordos trabalhistas para reduzir o número de funcionários públicos.

O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, disse que está ao alcance do país fazer uma consolidação orçamentária "crível" e preparar um crescimento econômico sustentável, mas apelou ao "patriotismo" ao falar de um "ataque externo à dívida pública".

Também se queixou do assédio dos mercados o presidente da agência lusa para o investimento e o comércio exterior, Basilio Horta, que tachou o rebaixamento da nota do país de "manipulação do mercado" e "ataque violento".

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